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17/08/2010 - 17h24

Horário eleitoral opõe a mãe afetiva e o professor experiente

Por Natuza Nery e Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) - Um dia depois de uma nova pesquisa de intenção de votos mostrar Dilma Rousseff (PT) 11 pontos percentuais à frente de José Serra (PSDB) na corrida presidencial, os dois candidatos estrearam no horário eleitoral gratuito na TV nesta terça-feira apostando em suas biografias.

Serra foi mais programático, buscou associação com o povo e se apresentou como realizador. Não fez crítica ao governo. Ao contrário, usou em seu jingle o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Quando o Lula da Silva sair, é o Zé que eu quero lá... Para o Brasil seguir em frente, sai o Silva e entra o Zé", cantava o refrão.

"O Brasil avançou muito em muitas áreas, mas está devendo em outras", disse um Serra sorridente e simpático, o "professor" que olhará pela educação no país e o "melhor ministro" da Saúde que o Brasil já teve.

Dilma, "o braço direito de Lula", foi mais sentimental nos 10 minutos e 38 segundos do programa. Esteve ao lado do presidente no começo, apresentou sua trajetória pessoal e política no meio, e voltou ao padrinho no fim. Seu foco: a mulher e o discurso constante da continuidade.

"Eu realmente fico muito feliz de saber que posso entregar a faixa presidencial a uma companheira do meu partido e uma companheira mulher. É uma coisa gratificante", apareceu Lula discursando a uma plateia repleta de mulheres.

"Grande parte do sucesso do governo está na capacidade de coordenação da companheira Dilma Rousseff", disse Lula, depois, em um depoimento. "Ela é a pessoa certa para o lugar certo."

PLACAR DO JOGO

Com 3 minutos a menos, o programa de Serra tem o desafio de ser mais efetivo em menos tempo para virar o jogo.

Pesquisa do Datafolha, divulgada na última sexta-feira, mostrou a liderança da ex-ministra com 41 por cento das intenções de voto, contra 33 por cento do tucano. Já na sondagem do Ibope, divulgada na véspera, o placar foi de 43 a 32 por cento.

Serra apareceu no vídeo ao lado de pessoas comuns. Entrevistou mulheres e homens em suas casas e ouviu sobre seus problemas pessoais, na maioria relacionados à saúde.

Ressaltou sua atuação como ministro da Saúde e mostrou um caso bem-sucedido de um jovem graças ao trabalho da Apae, um tema que Serra tem enfatizado nos últimos dias, desde o primeiro debate dos presidenciáveis na TV.

O tucano destacou ainda sua origem modesta, um filho de feirantes de São Paulo.

Dilma teve ao lado companheiros do passado, da cadeia ao governo gaúcho. Apareceu no vídeo como mãe, mulher sensível e muito dedicada aos estudos.

"Para você achar que tem de mudar seu país, tem de ter uma relação afetiva com o seu povo", afirmou ela, falando muito de pobreza.

Na única referência ao Bolsa Família entre os dois candidatos foi feita por Dilma. Sem citar o nome do programa social, comentou que Lula deu certeza aos pobres que a política de transferência de renda não era "esmola", mas "obrigação" do Estado

Dilma Rousseff, que atuou na luta armada contra o regime militar, dedicou tempo razoável, inclusive com testemunhos de antigos colegas, a seu passado na resistência.

BANDEIRA SUSTENTÁVEL

Com muito menos tempo na TV, apenas 1 minuto e 23 segundos, a candidata do PV, Marina Silva, usou o primeiro programa na TV para falar sobre o meio ambiente, sua principal bandeira, em lugar de se apresentar e explorar sua biografia.

Recheada de cenas da natureza como florestas, geleiras e animais, a propaganda trouxe a voz de Marina listando uma série de problemas decorrentes do desequilíbrio ambiental, como a falta de água e o aquecimento global.

Apenas nos segundos finais do programa aparece a imagem da candidata, com o mote de sua campanha. "É possível desenvolver sem destruir. Isso é ser sustentável", diz, pouco antes de se apresentar. "Eu sou Marina Silva, candidata à Presidência do Brasil".

O fato de seu programa estar posicionado, por sorteio, entre o de dois candidatos de partidos chamados "nanicos" deve dificultar sua missão no horário eleitoral.

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