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17/08/2010 - 10h15

Irã rejeita enviar condenada à morte para asilo no Brasil

Por Robin Pomeroy

TEERÃ (Reuters) - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que Sakineh Mohammadi Ashtiani, a mulher condenada à morte por apedrejamento pelo crime de adultério, não será enviada ao Brasil, apesar da oferta de asilo feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A sentença imposta a Sakineh causou comoção internacional e se tornou um surpreendente tema de discussão na atual campanha eleitoral brasileira.

Lula, que tem relações amistosas com Ahmadinejad, ofereceu asilo a Sakineh neste mês. A proposta já havia sido anteriormente rejeitada por um porta-voz da chancelaria iraniana, segundo a qual o presidente brasileiro "não havia recebido suficiente informação" sobre o caso.

Em entrevista à Press TV, canal estatal iraniano em língua inglesa, Ahmadinejad disse: "Acho que não há necessidade de criar problemas para o presidente Lula e levá-la ao Brasil."

"Estamos interessados em exportar nossa tecnologia para o Brasil, em vez de (exportar) uma questão dessas", acrescentou ele na entrevista, transmitida na segunda-feira à noite. Ahmadinejad falou em farsi e sua voz foi coberta pela tradução para o inglês.

"Há um juiz, afinal de contas, e os juízes são independentes. Mas conversei com o chefe do Judiciário, e o Judiciário não concorda com isso (o asilo da ré)."

Pela lei islâmica vigente no Irã, os crimes de homicídio, adultério, estupro, assalto, apostasia e narcotráfico estão sujeitos à pena de morte.

Em entrevista coletiva, Ramin Mehmanparast, porta-voz da chancelaria, disse que o Ocidente criou todo o furor em torno de Sakineh para prejudicar o Irã.

"Isso é mais um complô a fim de criar problemas nas estreitíssimas relações (do Irã) com Brasil e Turquia", afirmou.

Em maio, Brasil e Turquia convenceram o Irã a aceitar um acordo de intercâmbio de material nuclear, na esperança de que isso afastasse as preocupações ocidentais de que o país estaria tentando desenvolver armas nucleares -- o que o Irã nega. O acordo acabou não sendo levado adiante porque logo em seguida a ONU anunciou um novo pacote de sanções ao Irã.

Sakineh foi condenada em 2006 a 99 chibatadas por ter uma "relação ilícita" com dois homens, segundo a entidade Anistia Internacional. Posteriormente, foi condenada à morte por apedrejamento, acusada de "adultério enquanto estava casada", o que a Anistia diz que ela nega. Depois, surgiu também uma acusação de envolvimento no homicídio do seu marido.

A sentença por apedrejamento foi suspensa, à espera de uma revisão judicial do caso, mas ainda poderá ser aplicada.

Na semana passada, uma mulher identificada como Sakineh deu uma entrevista à TV iraniana, falando de sua relação com um homem que matou seu marido.

A Anistia Internacional diz que o Irã é o segundo país do mundo que mais recorre à pena de morte, atrás apenas da China. Em 2008, a República Islâmica realizou pelo menos 346 execuções.

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