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18/08/2010 - 12h27

Candidatos a presidente elevam tensão em debate

Por Carmen Munari

SÃO PAULO (Reuters) - Os três principais candidatos à Presidência da República deixaram de lado o clima ameno do primeiro embate e partiram para a crítica nesta quarta-feira.

Dilma Rousseff (PT), que lidera as pesquisas de intenção de voto, investiu contra José Serra (PSDB), que atacou o governo Lula e figuras de destaque do PT, enquanto Marina Silva (PV) mirou os dois adversários e a gestão atual, da qual fez parte.

No debate realizado pelo jornal Folha de S.Paulo e pelo portal UOL, o ponto alto foram as perguntas dos internautas, que provocaram os candidatos ao questioná-los sobre seus perfis. O primeiro confronto havia sido realizado na TV Bandeirantes no dia 5.

Dilma se declarou uma "política não-tradicional" ao responder à pergunta contundente de um internauta.

No questionamento, o participante ressaltou que a candidata nunca concorreu em uma eleição e pode ter sido "quem sobrou", com referência à falta de opções no PT "por conta dos escândalos" que Antonio Palocci, José Dirceu e José Genoino se envolveram durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Essa pergunta é muito boa, que me permite deixar clara uma tentativa de desqualificação inadequada", rebateu Dilma.

"Acredito que sou uma política não-tradicional. Não tive, de fato, experiência parlamentar, mas experiência administrativa no governo tive bastante. Poucas pessoas passaram por um escrutínio tão pesado nos últimos três anos", acrescentou.

Serra, por sua vez, teve que explicar se é o representante das elites e afirmou que sempre governou para as camadas mais pobres da população.

"Minha origem é de família modesta, estudei em escola pública, eu trabalhava junto com meu pai, fui líder estudantil, vivi no exílio, me envolvi com política", afirmou o tucano, acrescentando que teve 80 milhões de votos, para os cargos que concorreu, e que já ganhou e perdeu eleições.

Nesta linha, reiterou sua ligação com o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e os medicamentos genéricos.

Quando respondeu a uma questão sobre as alianças partidárias de sua coligação, procurou se eximir de irregularidades, tentando atingir o governo federal.

"Eu não passo a mão na cabeça de quem comete erro. Não passo a mão na cabeça de quem faz malandragem", disse.

CÂNCER

Outro momento constrangedor para Dilma foi quando recebeu uma pergunta de um jornalista sobre sua saúde pessoal. A candidata passou por tratamento contra um câncer linfático no ano passado e foi considerada livre da doença.

"Me considero plenamente restabelecida", disse. Depois, na entrevista coletiva, afirmou que a pergunta foi "um pouco deselegante". Declarou ainda que "essa questão da minha saúde vocês podem ficar descansados. Ninguém com alguma doença segura uma campanha eleitoral como eu seguro".

Já em acusação sobre escândalos, Serra citou um vago "vocês" dirigindo-se a Dilma sobre a suposta quebra do sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, que ficou sem resposta. Também classificou o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu de "chefe da quadrilha (do mensalão), que hoje está na campanha de Dilma".

A oposição entre os governos Lula e Fernando Henrique Cardoso (PSDB) voltou ao palco, quando Dilma e Serra discordaram sobre a questão tributária. "Teu espelho retrovisor é tão grande, maior que o pára-brisa", disse Serra, sobre as menções a FHC pela petista. Ele já havia usado o termo no debate da Band, agora ampliado.

Ainda em temas polêmicos, Dilma disse que não há mulheres favoráveis ao aborto. "Eu formalmente não sou a favor do aborto", disse, defendendo uma política de saúde pública que proteja mães e filho.

REFORMA POLÍTICA

Dilma e Serra discordaram sobre a melhor maneira de se realizar a reforma política, enquanto Marina acredita que seria a única maneira de acabar com o que chamou de fisiologismo nos governos.

A petista disse que uma assembleia constituinte exclusiva seria uma forma de ter um conjunto de pessoas escolhidas "para legislar sobre uma questão tão relevante quanto essa", com a possibilidade da criação de leis específicas, como foi feito com a que determina o respeito à fidelidade partidária.

"Seria importante um processo democrático de discussão", disse a candidata petista.

Para Serra, uma constituinte exclusiva "acaba não levando a nada" e defendeu a adoção do voto distrital para cidades com pelo menos 200 mil habitantes.

Marina Silva afirmou que o presidente Lula, que apoia Dilma, e seu antecessor Fernando Henrique Cardoso tentaram e não conseguiram fazer a reforma política. Segundo ela, não foi possível por conta das alianças políticas.

"São aqueles que se beneficiam do processo viciado que leva a uma série de benefícios contra um interesse público. Defendo a constituinte exclusiva para resolver esse impasse."

PROUNI

Dilma questionou Serra sobre ação de constitucionalidade do Democratas contra o ProUni. A candidata petista disse que Serra citou o Protec como exemplo para ensino técnico, na carona do ProUni.

"O meu governo criou o ProUni, para dar acesso aos mais pobres às universidades. Partido do seu vice quis acabar na Justiça com o projeto. O que teria acontecido se o ProUni tivesse acabado?", questionou. "Existe uma ação direta de constitucionalidade e isso me preocupa", disse Dilma. Segundo a candidata, são 704 mil alunos incluídos no programa.

Serra afirmou que o DEM não entrou em processo no Supremo Tribunal Federal (STF), como argumentou Dilma, para acabar com o ProUni e acrescentou que isso não tem nada a ver com sua posição.

Na resposta, Serra disse que o PT é que apostou no quanto pior melhor, votando contra o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal. "O PT ganha disparado no quanto pior melhor", disse.

"FAVELA ARTIFICIAL"

Sobre problemas de moradia, Dilma disse que o programa "Minha Casa, Minha Vida" do governo Lula já contratou 590 mil casas e deve chegar a 1 milhão até fim do ano, o próximo programa ela prevê 2 milhões de casas. Serra atacou e disse que "o programa que a Dilma dirigiu fez praticamente nada até agora".

No mesmo assunto, Marina questionou o tucano sobre a "favela artificial" que fez parte de seu programa de TV na véspera. Ele ignorou e não respondeu.

Questionada, Marina não quis abrir seu voto caso não passe a um eventual segundo turno. "Segundo turno, a gente discute no segundo turno", disse.

Segundo as últimas pesquisas de opinião, a candidata do PT lidera a corrida presidencial. Pesquisa Vox Populi, divulgada na terça, mostrou que a petista abriu vantagem de 16 pontos sobre Serra.

Dilma apareceu com 45 por cento das intenções de voto, Serra com 29 por cento e Marina Silva (PV) com 8 por cento.

(Reportagem de Carmen Munari; Edição de Maria Pia Palermo)

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