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19/08/2010 - 15h14

Auxílio-desemprego atinge máxima em 9 meses nos EUA

Por Lucia Mutikani

WASHINGTON (Reuters) - A economia dos Estados Unidos encontrou mais obstáculos nesta quinta-feira, com a quantia de pedidos de auxílio-desemprego subindo à máxima em nove meses na última semana e a atividade manufatureira na região do Meio-Atlântico do país encolhendo pela primeira vez em mais de um ano.

Dados divulgados nesta quinta-feira também mostraram que uma importante medida das perspectivas econômicas dos EUA subiu pouco em julho, indicando que o crescimento continuou a perder força depois de um primeiro trimestre animador.

"São notícias certamente desalentadoras sobre a economia", disse David Resler, economista-chefe da Nomura Securities International em Nova York.

"Não é uma evidência persuasiva de que nós caímos na recessão de novo, mas é certamente sugestivo de uma deterioração mais séria do que nós tínhamos considerado nas nossas previsões."

O acréscimo na quantidade de pedidos de auxílio-desemprego foi de 12 mil, totalizando 500 mil com ajuste sazonal na semana terminada em 14 de agosto, informou o Departamento de Trabalho dos EUA. Foi o terceiro mês seguido de aumento, resultando no maior número de pedidos desde a metade de novembro.

Os mercados financeiros esperavam uma queda para 476 mil.

O Federal Reserve de Filadélfia disse que o índice de atividade fabril na região central dos EUA caiu para menos 7,7 em agosto, a menor leitura desde julho de 2009. As novas encomendas e embarques diminuíram, e a situação do mercado de trabalho piorou.

Qualquer valor abaixo de zero indica contração no setor manufatureiro da região. A última vez em que índice ficou negativo foi em julho do ano passado, quando a atividade se recuperava da recessão de 2008 e 2009.

O índice de indicadores antecedentes do Conference Board subiu 0,1 por cento em julho, em linha com as expectativas de analistas, após cair 0,3 por cento em junho.

Os dados anunciados nesta quinta-feira reforçam as previsões de que o crescimento dos EUA diminuirá no terceiro trimestre.

LENTIDÃO CONTINUA

Alguns analistas também se preocupam que a desaceleração norte-americana, iniciada no segundo trimestre, leve a economia global a uma nova recessão.

"Se a economia (dos EUA) piorar, não há formas de a zona do euro suportar a desaceleração", disse Win Thin, estrategista de câmbio da Brown Brothers Harriman em Nova York.

"É muito cedo para dizer que nós estamos fadados a um retorno à recessão, mas as coisas estão desacelerando", acrescentou.

Uma autoridade do Departamento de Trabalho disse que não houve fatores incomuns afetando os dados de auxílio-desemprego, que cobriram a semana de pesquisa para o relatório do governo sobre o emprego em agosto. Os dados dos postos de trabalho dos EUA serão divulgados no início do mês que vem.

Segundo analistas, os dados de auxílio-desemprego sugerem que o corte de empregos em agosto pode exceder o corte de 131 mil vagas em julho.

Ainda pior, a média móvel de quatro semanas dos pedidos de auxílio-desemprego, considerada uma medida melhor das tendências do mercado, subiu para o maior nível desde o início de dezembro.

(Reportagem adicional de Lisa Lambert em Washington, Leah Schnurr e Chris Reese em Nova York)

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