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19/08/2010 - 15h48

Esboço de texto de potências vê acordo no Oriente Médio em 2011

Por Douglas Hamilton

JERUSALÉM (Reuters) - Potências mundiais que enfrentam um prazo decisivo no processo de paz no Oriente Médio estão discutindo o esboço de um comunicado que convidaria Israel e palestinos para negociações diretas que poderiam chegar a um acordo em um ano.

Fontes diplomáticas disseram que o esboço de convite ao diálogo estaria sendo discutido pelo quarteto formado por Estados Unidos, União Europeia, Rússia e a Organização das Nações Unidas, e poderia ser divulgado na tarde de sexta-feira.

Em junho, o quarteto disse que as negociações de paz deveriam ser concluídas em 24 meses. O novo texto menciona o prazo de 12 meses. A Autoridade Nacional Palestina pretende ter todos os atributos de um Estado independente estabelecidos até meados de 2011.

Diplomatas disseram que é cada vez maior a crença na ideia de que uma declaração de Estado unilateral poderia ganhar apoio caso as conversas não tenham início ou não cheguem a um resultado em 12 meses.

O processo de paz foi retomado em maio após 19 meses, mas empacou devido aos termos de uma mudança simbólica das negociações entre Israel e os palestinos, que passariam de indiretas para o diálogo direto.

Israel se diz pronto a um diálogo direto desde que não haja precondições. Os palestinos estão prontos desde que haja uma agenda clara. Israel afirma que uma agenda significa precondições.

Resolver o impasse sobre os termos é crucial, dizem diplomatas.

O "convite ao diálogo" do quarteto tem sido aguardado desde segunda-feira. Negociadores estavam discutindo o texto nesta quinta-feira, afirmaram fontes diplomáticas.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, quer o início das conversações diretas bem antes de 26 de setembro, quando chega ao fim a moratória de dez meses de Israel nas construções dos assentamentos na Cisjordânia.

TERMOS

O esboço reafirma "o comprometimento total aos comunicados anteriores". Textos anteriores do quarteto neste ano pediram por uma suspensão na expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada.

O novo texto, no entanto, não repete explicitamente esta exigência, que poderia ser rejeitada por direitistas da coalizão de centro-direita do premiê israelense, Benjamin Netanyahu.

A retomada das construções nos assentamentos pode enterrar as negociações para sempre. Veteranos nas conversações no Oriente Médio ao longo de 20 anos afirmam que é como andar de bicicleta: ou você anda para frente ou cai, e a queda pode significar no final voltar à guerra.

Netanyahu pode se beneficiar politicamente com a passagem para as conversações diretas, indo contra a percepção externa de que ele não procura genuinamente a paz.

Por outro lado, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, tem muito a perder politicamente. Na verdade, ele seria destruído caso surgisse, depois de meses de negociações, como um conciliador fracassado.

(Reportagem adicional de Ali Sawafta, em Ramallah, e Luke Baker, em Bruxelas)

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