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23/08/2010 - 11h12

Após enchente, crescimento do Paquistão pode ser de 0% a 2%

Por Sahar Ahmed

KARACHI (Reuters) - As piores inundações no Paquistão em várias décadas podem fazer com que o crescimento econômico do país no ano fiscal 2010/11 fique apenas entre 0 e 2 por cento, disseram autoridades na segunda-feira, aumentando os temores em relação à estabilidade do país.

O Banco Asiático de Desenvolvimento, que avalia os danos e necessidades do Paquistão junto com o Banco Mundial, havia dito na semana passada que o crescimento poderia ser de 3 por cento. O Ministério das Finanças já informara que o Paquistão não teria como cumprir sua meta de crescer 4,5 por cento no ano. Uma nova estimativa não foi divulgada.

Sakib Sherani, assessor do Ministério das Finanças, disse que várias estimativas de crescimento terão de ser revistas quando for possível avaliar plenamente o impacto das enchentes.

"Achamos que zero por cento é o limite mínimo dessas estimativas", afirmou Sherani à Reuters, acrescentando que se trata de um cálculo pessoal, e não de uma estimativa oficial do ministério.

No ano passado, o Paquistão cresceu 4,1 por cento.

Sherani disse que a previsão de crescimento zero se baseia nos prejuízos à agropecuária. Ele afirmou que 25 por cento da safra de algodão -- crucial para a indústria têxtil, responsável por mais de metade das exportações -- foi afetada.

As dificuldades econômicas são motivo de preocupação para o governo do Paquistão e para os EUA, que temem a instabilidade de um aliado envolvido diretamente no combate à insurgência do Taliban e Al Qaeda.

Membros do governo paquistanês já manifestaram a preocupação de que militantes islâmicos tentem se aproveitar do drama das enchentes para recrutar ativistas. Entidades beneficentes islâmicas, algumas suspeitas de ligação com grupos militantes, têm sido mais eficazes que o governo na distribuição de ajuda às vítimas.

O Fundo Monetário Internacional deve rever o orçamento e as perspectivas macroeconômicas do Paquistão a partir de segunda-feira, em reuniões com funcionários do país em Washington.

O Paquistão atualmente faz parte de um programa de 10,66 bilhões de dólares do FMI, definido em 2008. O Fundo pode aliviar a situação das contas públicas paquistanesas se concordar em atenuar as metas do programa ou prorrogar o período de pagamento do empréstimo.

A reconstrução deve custar bilhões de dólares, sobrecarregando uma economia que já era frágil antes das inundações que destruíram aldeias e estradas do noroeste ao sul do país, deixando mais de 4 milhões de desabrigados.

Sherani disse que a inflação pode chegar a 25 por cento -- bem acima dos 9,5 por cento que eram a meta para 2010/11.

(Reportagem adicional de Kamran Haider em Islamabad)

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