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24/08/2010 - 08h14

Ausente, Dilma e governo são criticados em debate de TV católica

SÃO PAULO (Reuters) - A ausência da candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, no debate promovido pela TV Canção Nova e a Rede Aparecida, canais de inspiração católica, abriu espaço para uma série de críticas ao governo federal e a ela própria por parte de seus principais adversários.

Logo no início do primeiro bloco, o candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, arrancou aplausos da plateia ao protestar por causa da ausência da candidata petista.

"Dos quatro candidatos, tem uma que não poderia deixar de estar aqui. No entanto, esta senhora, que é uma incógnita... que foi inventada pelo Lula, esta senhora manda uma cartinha cheia de gratitudes e foge das questões que vão ser discutidas aqui hoje", atacou Plínio.

Dilma, que aparece com 17 pontos de vantagem sobre o segundo colocado José Serra (PSDB) em pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana, diferença que lhe garantiria hoje vitória no primeiro turno, justificou sua ausência em nota lida pelo mediador alegando problemas de agenda.

Em outro momento do debate, foi a vez de Serra, aproveitar essa ausência para atacar o governo federal quando perguntado sobre suas restrições a projetos como o trem bala, a hidrelétrica de Belo Monte e as obras de transposição do Rio São Francisco.

"Se for pago pelo setor privado, e se o risco for do setor privado, tudo bem", afirmou Serra, ao se referir ao trem bala, defendido pelo governo e pela candidata do PT. Ao comentar a resposta do tucano, Plínio concordou, mas criticou as obras de transposição do São Francisco. "É entregar o Nordeste ao agronegócio... Já Belo Monte é um 'bolsa empreiteiro'", acrescentou Plínio.

Temas relacionados à Igreja Católica, como aborto, utilização de símbolos religiosos em locais públicos e homofobia também entraram no debate entre os três candidatos presentes.

O candidato do PSOL, que se disse cristão, defendeu o direito ao aborto. Marina Silva (PV), por sua vez, propôs um debate "sem satanização" e um plebiscito para resolver essa questão de forma transparente, apesar de, segundo ela, ser contrária a essa prática.

"Eu defendo que, na democracia, se faça o plebiscito para que se faça aquilo que está faltando, o debate aberto", disse Marina.

Uma pergunta sobre a possibilidade de apoiarem ou não um projeto de lei sobre criminalização da homofobia provocou os candidatos. Plínio mostrou-se favorável à criminalização. "Sou contra toda discriminação. Não se pode humilhar pessoas por sua opção sexual", afirmou.

O candidato do PSDB também disse que qualquer preferência sexual não pode ser objeto de discriminação. Mas defendeu o direito das igrejas ou religiões pregarem seus princípios dentro de recintos religiosos.

Questionado sobre as pesquisas que o mostram atrás de Dilma e sobre o que fará para reverter esse quadro, Serra respondeu que a pesquisa que vale é o do dia da eleição. "Pesquisa é um indicador que políticos e jornalistas têm fascinação", ironizou.

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