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24/08/2010 - 14h55

Dilma não vê necessidade de ajuste fiscal agora

BRASÍLIA (Reuters) - A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, descartou nesta terça-feira a necessidade de um ajuste fiscal pelo novo governo dada a atual situação do Brasil e as incertezas que ainda perduram na economia global.

"O cenário internacional que a gente está pode ser ainda um cenário de depressão, então é muito producente manter as coisas como estão", disse a jornalistas Dilma, que lidera com folga as pesquisas de intenção de voto.

Reportagem da Folha de S.Paulo de segunda-feira, sem citar fontes, relatava que um eventual governo Dilma realizaria um ajuste fiscal. O próprio presidente do PT, José Eduardo Dutra, disse à Reuters, na sexta-feira, que ela poderia cortar gastos do governo para cumprir metas fiscais.

Depois de negar na véspera que houvesse estudos nesse sentido, Dilma foi mais enfática nesta tarde.

"Com o país crescendo a 7 por cento, com inflação sob controle, com o atual nível de reservas (internacionais)... eu vou fazer ajuste fiscal para que, hein?", questionou. "Eu não concordo que o Brasil tenha que se submeter sistematicamente a cada fim de governo a um ajuste fiscal".

Lembrando o ajuste feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando assumiu, em 2003, a candidata argumentou que aquilo foi feito pela necessidade daquela conjuntura.

"Nós fizemos ajuste fiscal quando foi preciso, nem piscamos. Isso não significa que vou transformar necessidade em virtude", argumentou.

Ela prometeu que não permitirá gastos desnecessários e que manterá a política de queda da dívida pública e manutenção da inflação sob controle.

"Não vou deixar que se gaste um tostão se não for necessário... O Brasil não pode gastar dinheiro onde não é necessário", disse. "Uma coisa é manter a dívida caindo e eu vou manter, eu vou manter o controle da inflação."

A petista usou a conjuntura internacional também como justificativa para rejeitar uma mudança na meta de inflação agora. "Para a gente reduzir meta de inflação não se faz isso num cenário internacional em que estamos."

REFORMA TRIBUTÁRIA

A candidata voltou a falar sobre reforma tributária, mas, sabendo do tempo que isso pode levar, disse que, caso ganhe a eleição, pretende adotar também medidas pontuais na área.

"O governo tem que tentar uma reforma estrutural tributária, porque nós precisamos apostar numa distribuição melhor de impostos."

Em relação às medidas tópicas, não disse o que pretende fazer, mas citou exemplos que considera positivos do governo Lula como o Simples nacional, a redução de imposto para a cesta básica e para a construção civil.

"Eu vou combinar duas coisas, a proposta de uma reforma estrutural. Enquanto isso o Brasil não pode esperar, a gente vai ter de tomar, se começar a demorar, medidas tópicas."

PREENCHIMENTO DE CARGOS

Em meio a notícias de que PT e PMDB já estariam discutindo a divisão de poder e cargos em caso de vitória da coligação, Dilma afirmou que o preenchimento de posições num eventual governo seu será feito por pessoas que tenham tanto um perfil técnico como político.

"Não pode ser o técnico frio, mas também não pode ser o político sem capacidade, sem competência, sem qualificação", disse. "Técnico puro é uma reminiscência da época tecnocrata em que se acreditava que técnico por si só resolveria o problema, tenho muito medo."

Seu principal adversário na corrida presidencial, José Serra (PSDB), disse reiteradas vezes que não fará indicações políticas para cargos que exijam capacitação técnica.

(Reportagem de Natuza Nery e Maria Carolina Marcello)

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