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24/08/2010 - 15h27

Temer nega negociação de cargos; Indio contesta

SÃO PAULO (Reuters) - Em debate que reuniu nesta terça-feira três candidatos a vice-presidente, o deputado Michel Temer (PMDB-SP), vice de Dilma Rousseff (PT), negou que esteja em curso uma partilha de cargos em um eventual governo da petista.

"A única negociação que houve foi um documento escrito em que se estabeleceu que o PMDB teria a vice-presidência e faria um programa de governo junto com o PT e os demais partidos", disse Temer a jornalistas após participar de debate promovido pelo jornal Folha de S.Paulo e pelo portal UOL.

O assunto ganhou destaque depois da divulgação de pesquisas dando a possibilidade de vitória a Dilma já no primeiro turno.

"Não há nenhuma hipótese de negociação de cargos (neste momento)", reiterou Temer.

O deputado Indio da Costa (DEM-RJ), vice de José Serra (PSDB), afirmou que uma possível divisão de cargos é usual entre peemedebistas.

"Olha, o PMDB sempre faz isso. Eles sempre dividem o governo", disse Indio, citando estatais como Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a Petrobras. Antes do apoio ao governo Lula, o PMDB estava ao lado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que presidiu o país entre 1995 e 2002.

O deputado criticou o que considera politização dos órgãos públicos. "O presidente (Lula) pode até estar bem avaliado, mas os serviços públicos não", disse.

Indio da Costa voltou a acusar o PT de ligação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), já negada pelo partido.

"Nunca disse que o PT apoia as Farc, disse que as Farc são apoiadas pelo narcotráfico e que o PT tem relação com as Farc", afirmou Indio.

Atuando como defensor de Dilma, Temer se amparou no trabalho do governo federal contra o tráfico. "Nesses últimos anos, aumentou a apreensão de cocaína de 7 toneladas para 20 toneladas... Portanto, há uma ação muita intensa (do governo federal) nessa questão", disse Temer.

Indio também criticou novamente a posição do PT, que, segundo ele, pretende cercear a liberdade de imprensa.

"Em agosto de 2004, foi enviado pelo presidente o projeto de criação do conselho (federal) dos jornalistas. Em 2009, foi enviado o Plano Nacional dos Direitos Humanos, que quer calar a boca da imprensa", afirmou.

Temer voltou a atuar na defesa. "Não há mais absoluta viabilidade de qualquer questão que envolva a liberdade de imprensa", contestou.

Guilherme Leal (PV), vice de Marina Silva (PV), propôs a instituição de uma assembleia constituinte com a missão de realizar as reformas tributária, política e previdenciária. Já Temer disse não ver clima no Congresso para uma constituinte.

Indio, por sua vez, mostrou-se contrário a qualquer constituinte. "Sou contra, nesse momento, qualquer tipo de mudança na Constituição. Tenho muita preocupação com o que está acontecendo aqui no Brasil", afirmou.

(Reportagem de Fernando Cassaro)

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