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25/08/2010 - 18h54

Na Coreia do Norte, Carter tenta libertar norte-americano

Por Jeremy Laurence

SEUL (Reuters) - O ex-presidente norte-americano Jimmy Carter se reuniu na quarta-feira com o chefe de Estado da Coreia do Norte, após chegar a Pyongyang para uma visita privada, destinada a libertar um norte-americano preso pelo regime local.

A TV estatal norte-coreana mostrou Carter ao lado de Kim Yong-nam, oficialmente o chefe de Estado, mas na prática o número 2 do regime, subordinado ao ditador Kim Jong-il.

"Eles tiveram uma conversa numa atmosfera calorosa", disse a TV estatal, sem entrar em detalhes sobre o conteúdo.

A visita de Carter ocorre num momento turbulento na península, depois do naufrágio de uma corveta sul-coreana, em março, atribuído por Seul e Washington à Coreia do Norte -- que no entanto rejeita a acusação.

O ex-presidente, ganhador do Nobel da Paz, e sua comitiva foram recebidos no aeroporto pelo vice-chanceler Kim Kye-gwan, que representa o regime nas negociações multilaterais de desarmamento nuclear, paralisadas há dois anos.

O estadista, de 85 anos, foi à Coreia do Norte para obter a libertação de Aijalon Mahli Gomes, condenado meses atrás a oito anos de trabalhos forçados por entrar ilegalmente na Coreia do Norte.

A imprensa estatal disse no mês passado que o norte-americano, de 30 anos, havia tentado suicídio.

O Departamento de Estado dos EUA afirmou que Carter estava em "viagem privada" para fins humanitários, e que não faria comentários para não colocar em risco o sucesso da missão.

No ano passado, o ex-presidente Bill Clinton já havia ido à Coreia do Norte para obter a libertação de duas jornalistas presas por entrarem ilegalmente no país.

A imprensa sul-coreana disse neste mês que a Coreia do Norte deseja que Washington envie um representante para discutir uma melhoria nas relações, inclusive com a retomada das negociações multilaterais.

O objetivo é levar a Coreia do Norte a abrir mão do seu arsenal nuclear em troca de incentivos econômicos e diplomáticos. O processo envolve Estados Unidos, China, Rússia, Japão e as duas Coreias.

Washington e Seul dizem que Pyongyang deveria admitir sua responsabilidade no naufrágio da corveta Cheonan, como pré-requisito para voltar às negociações. Pyongyang insiste na sua inocência.

(Reportagem adicional de Kwon Youri, Jack Kim e Brett Cole, em Seul, e de Tabassum Zakaria, em Washington)

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