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Capriles, da Venezuela, diz que governo de Maduro vai cair

Andrew Cawthorne e Diego Ore

Em São Francisco de Yare (Venezuela)

03/06/2013 14h03

O líder da oposição venezuelana, Henrique Capriles, diz que o governo do presidente Nicolás Maduro irá "desmoronar" sob a pressão dos problemas econômicos crescentes, da luta interna e da crença de muitos venezuelanos de que roubou a eleição de abril.

Capriles ainda está contestando a eleição, que ele perdeu para Maduro por 1,5 ponto percentual, uma vitória mais estreita do que era esperado. Mas se, como previsto, as alegações de fraude não chegarem a lugar algum nos tribunais da Venezuela, Capriles diz que outras forças podem afundar o sucessor do falecido líder socialista Hugo Chávez.

"Acho que este governo, nas condições atuais de ilegitimidade somadas a uma crise econômica profunda com a qual não mostra intenção de lidar, vai desmoronar", disse à Reuters Capriles, de 40 anos e governador do Estado de Miranda.

"O que isso significa? Bem, todos os mecanismos estão na Constituição: referendo, nova eleição, renúncia. Mas... não me pergunte por saídas que não estejam na Constituição. Nossa luta é pacífica", acrescentou, em entrevista à Reuters em uma zona rural do Estado na sexta-feira.

Protestos de rua pós-eleição acabaram representando um revés para Capriles, com a morte de algumas pessoas devido ao caos, permitindo que o governo o atacasse como um desestabilizador e assassino.

Agora ele e outros líderes da oposição parecem estar se fiando em uma deterioração constante da popularidade e do poder de Maduro. Uma possibilidade para os opositores é um referendo revogatório, permitido na Constituição depois de três anos de Presidência.

A estratégia foi usada sem sucesso contra Chávez durante seus 14 anos de governo na nação sul-americana integrante da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep).

Alguns opositores, no entanto, dizem que os problemas econômicos da Venezuela - crescimento lento, inflação incontrolável, escassez de produtos e gargalos de divisas - podem ser demais para Maduro, mesmo antes de ele pressionar por um referendo revogatório.

Capriles diz que uma suposta rivalidade entre Maduro e o poderoso líder do Congresso, Diosdado Cabello, também o número 2 no Partido Socialista, da situação, era outro fator para se observar.

"Eles têm uma guerra interna... e aquela pessoa (Cabello) quer ser presidente, mas sabe que isso é impossível via voto popular. A única maneira, e isso explica o seu jogo, é que as coisas implodam, se rompam, e ele chegue lá por meios não democráticos", disse Capriles.

Algumas pesquisas de opinião mostram Capriles alguns pontos à frente de Maduro se uma eleição presidencial for repetida - uma perspectiva improvável, no entanto, dado os vários pronunciamentos do comitê eleitoral de que os resultados se sustentam, inclusive depois de uma auditoria.

"Esse é o único governo que assumiu e não subiu nas pesquisas", disse Capriles. "Não houve lua-de-mel. Olhe para todos os países nas Américas e no mundo, um governo sobe entre 10 e 15 pontos depois de assumir. Olhe para as pesquisas de opinião agora, Maduro tem uma média de 40 por cento."