PUBLICIDADE
Topo

Três confessam ter ateado fogo em palestino por vingança, diz Israel

Foto sem data divulgada por familiares mostra Mohammed Abu Khudair, 16, que foi  sequestrado e incendiado vivo por extremistas judeus em Jerusalém, em uma vingança contra a morte de três jovens judeus na Cisjordânia - Divulgação/Reuters
Foto sem data divulgada por familiares mostra Mohammed Abu Khudair, 16, que foi sequestrado e incendiado vivo por extremistas judeus em Jerusalém, em uma vingança contra a morte de três jovens judeus na Cisjordânia Imagem: Divulgação/Reuters

Em Jerusalém

14/07/2014 11h08

Três judeus israelenses presos pelo assassinato de um adolescente palestino confessaram ter sequestrado e ateado fogo ao jovem, segundo autoridades nesta segunda-feira (14). O incidente contribuiu para desencadear uma semana de conflitos entre Israel e o Hamas na faixa de Gaza.

Suspendendo o sigilo judicial sobre o caso, Israel disse que os suspeitos, dois deles menores de idade, disseram aos interrogadores que ao matar Mohammed Abu Khudair buscavam vingança pelo assassinato de três judeus na Cisjordânia ocupada no mês passado.

Os nomes dos suspeitos não foram divulgados porque eles ainda não foram formalmente indiciados.

As tensões aumentaram em torno dos dois incidentes. Mais de 166 palestinos, a maioria civis, foram mortos pela ofensiva israelense em Gaza, dominada pelo grupo militante Hamas. Centenas de foguetes foram disparados de Gaza contra Israel.

O suspeito adulto enfrenta as acusações mais graves e deve alegar como atenuante ter sofrido de distúrbios mentais no passado.

"Espero em breve ter acesso aos dados da investigação, onde eu vou buscar apoio para a avaliação de que há um problema complexo em matéria de culpabilidade penal do meu cliente", disse um advogado da Honenu, uma organização de ajuda legal a ultranacionalistas israelenses.

De acordo com a agência de segurança Shin Bet, de Israel, na madrugada de 2 de julho, enquanto os muçulmanos marcavam o fim do Ramadã, os três suspeitos "patrulharam os bairros árabes de Jerusalém por horas, em uma tentativa de encontrar uma vítima para o sequestro, até que avistaram Mohammed Abu Khudair".

Forçando-o a entrar no carro, eles dirigiram até uma floresta fora da cidade onde o suspeito de 29 anos bateu na cabeça da vítima com uma barra de ferro e ajudou os dois jovens de 17 anos a encharcá-lo com combustível e atear fogo em seu corpo, segundo o Shin Bet.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que culpou o Hamas pela morte dos jovens judeus e lançou uma ofensiva contra o grupo islâmico palestino, lamentou o assassinato de Abu Khudair, que classificou como "repugnante". Ele ordenou que a polícia encontrasse os culpados rapidamente e prometeu punição.

Conheça os pontos da negociação entre Israel e palestinos

  • Reprodução/BBC

    Estado palestino

    Os palestinos querem um Estado plenamente soberano e independente na Cisjordânia e na faixa de Gaza, com a capital em Jerusalém Oriental. Israel quer um Estado palestino desmilitarizado, presença militar no Vale da Cisjordânia da Jordânia e manutenção do controle de seu espaço aéreo e das fronteiras exteriores

  • Mohamad Torokman/Reuters

    Fronteiras e assentamentos judeus

    Os palestinos querem que Israel saia dos territórios que ocupou após a Guerra dos Seis Dias (1967) e desmantele por completo os assentamentos judeus que avançam a fronteira, considerados ilegais pela ONU. Qualquer área dada a Israel seria recompensada. Israel descarta voltar às fronteiras anteriores a 1967, mas aceita deixar partes da Cisjordânia se puder anexar os maiores assentamentos.

  • Cindy Wilk/UOL

    Jerusalém

    Israel anexou a área árabe da Jordânia após 1967 e não aceita a dividir Jerusalém por considerar o local o centro político e religioso da população judia. Já os palestinos querem o leste de Jerusalém como capital do futuro Estado da Palestina. O leste de Jerusalém é considerado um dos lugares sagrados do Islã. A comunidade não reconhece a anexação feita por Israel.

  • Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos

    Refugiados

    Há cerca de 5 milhões de refugiados palestinos, a maioria deles descendentes dos 760 mil palestinos que foram expulsos de suas terras na criação do Estado de Israel, em 1948. Os palestinos exigem que Israel reconheça seu "direito ao retorno", o que Israel rejeita por temer a destruição do Estado de Israel pela demografia. Já Israel quer que os palestinos reconheçam seu Estado.

  • Mahfouz Abu / EFE

    Segurança

    Israel teme que um Estado palestino caia nas mãos do grupo extremista Hamas e seja usado para atacar os judeus. Por isso, insiste em manter medidas de segurança no vale do rio Jordão e pedem que o Estado palestino seja amplamente desmilitarizado. Já os palestinos querem que seu Estado tenha o máximo de atributos de um Estado comum.

  • Abbas Momani/AFP

    Água

    Israel controla a maioria das fontes subterrâneas da Cisjordânia. Os palestinos querem uma distribuição mais igualitária do recurso.