Refinaria em Cubatão opera com restrições; Paraíba sofre com escassez de combustível

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A refinaria da Petrobras Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão (SP), está operando com capacidade reduzida devido a problemas operacionais na torre de fracionamento principal, que produz nafta, gasolina e diesel, afirmou à Reuters representante do Sindipetro Litoral Paulista (Sindipetro-LP).

A unidade, com capacidade para processar 178 mil barris de petróleo por dia, passou por uma manutenção periódica entre outubro e novembro, quando ocorreu uma greve dos petroleiros, e ainda não conseguiu retomar plenamente suas atividades.

Um atraso na partida de uma unidade da RPBC após a manutenção programada esteve entre as causas da escassez de gasolina em Estados do Nordeste no fim do ano, disse anteriormente uma fonte da Petrobras com conhecimento direto do assunto à Reuters.

Na ocasião, a Petrobras confirmou que houve atrasos nas entregas de gasolina em alguns locais de Pernambuco e Paraíba, em virtude de demora na atracação de navios de cabotagem. Mas não esclareceu se o motivo seria o atraso na RPBC.

Nesta quarta-feira, o governo da Paraíba informou em nota que autoridades do Estado se reúnem nesta tarde com o diretor de Abastecimento da Petrobras, Jorge Celestino, e representantes da estatal para discutir o problema causado pelo desabastecimento de combustível no Estado.

A maior parte dos produtos da RPBC são destinados à capital paulista, mas uma parcela é direcionada para Baixada Santista e regiões Norte, Nordeste e Sul, segundo dados da Petrobras. Hoje a RPBC abastece 8 por cento da produção nacional de derivados.

Segundo o diretor do Sindipetro-LP, Marcelo Juvenal, a refinaria está passando por problemas operacionais porque os trabalhos de manutenção não foram devidamente realizados.

Isso porque, segundo o sindicalista, a Petrobras teria decidido realizar os serviços com equipes terceirizadas mesmo com a refinaria em greve e sem a presença de funcionários.

Além da torre de fracionamento principal, outras unidades e equipamentos da RPBC também teriam passado por problemas operacionais ao longo último mês até agora, segundo Juvenal.

"A parada de manutenção foi feita sem o devido acompanhamento (dos funcionários)", disse Juvenal à Reuters.

Procurada nesta quarta-feira, a estatal não comentou a informação imediatamente.

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