ANA será cuidadosa ao liberar hidrelétricas afetadas por lama no rio Doce

Luciano Costa

De São Paulo

  • Fabio Braga/Folhapress

    Lama chega à foz do rio Doce, na praia de Regência, no Espírito Santo

    Lama chega à foz do rio Doce, na praia de Regência, no Espírito Santo

Quatro hidrelétricas instaladas no Rio Doce, em Minas Gerais, precisarão de aval da Agência Nacional de Águas (ANA) para voltar a operar, depois de terem a geração interrompida em novembro, na sequência do rompimento de uma barragem da mineradora Samarco em Minas Gerais.

A agência informou que será cautelosa antes de autorizar a retomada, que até o momento só foi solicitada por uma usina da EDP Energias do Brasil, que diz estar apta a operar. As demais hidrelétricas na região ainda avaliam eventuais estragos em máquinas e nos reservatórios com a passagem de rejeitos de minério pelo rio.

"A análise deve ser cuidadosa, para que a retomada da operação não cause impactos negativos em uma bacia já bastante impactada", disse a ANA, em nota.

Segundo a autarquia, estão sendo estudadas questões como o monitoramento que as usinas deverão fazer em relação à qualidade da água, bem como o impacto da retomada da geração de energia sobre os demais usos da água do rio.

A EDP Brasil afirmou que hidrelétrica Mascarenhas de Moraes, no Espírito Santo, a última no Rio Doce pela qual os rejeitos de mineração passaram antes de desaguar no mar, teve as máquinas desligadas "de forma preventiva" e "está apta a retomar as atividades".

Segundo a ANA, o pedido da empresa está em análise, ainda sem data para uma resposta.

Muito menos lama do que o inicialmente estimado vazou da barragem com rejeitos de minério de ferro que se rompeu na cidade mineira de Mariana em novembro, quando 17 pessoas morreram, informou nesta sexta-feira a anglo-australiana BHP Billiton BHP.AX BLT.L, uma das proprietárias da Samarco junto com a Vale.

Já a Aliança Energia, parceria entre a elétrica Cemig e a mineradora Vale, responsável por duas das quatro usinas no rio, informou que ainda estuda as consequências do incidente sobre os equipamentos e reservatórios dos empreendimentos. "Diversos estudos técnicos estão sendo realizados visando a avaliação das condições operacionais dos equipamentos e sistemas eletromecânicos fundamentais para a geração",infromou emnota.

A companhia, que opera as hidrelétricas de Candonga, primeira a ser atingida pelos rejeitos da barragem, e Aimorés, disse que "está realizando estudos para quantificar" impactos financeiros na geração de energia e prejuízos às instalações e infraestrutura de suas usinas.

Já a hidrelétrica de Baguari, que pertence a Neoenergia, Cemig e Furnas, da Eletrobras, afirmou em nota que "algumas ações estão sendo tomadas para avaliação das condições do reservatório e qualidade da água para o retorno das máquinas".

De acordo com as empresas, estão sendo realizados também estudos sobre a deposição dos sedimentos no reservatório da usina e uma apuração de possíveis danos.

As usinas paradas somam um total de cerca de 790 megawatts em potência instalada --cerca de 1 por cento da capacidade hidrelétrica do país, o que faz com que o incidente não chegue a ameaçar a segurança do suprimento.

Além dessas usinas maiores, uma pequena hidrelétrica do Grupo AVG, com 1,8 megawatt, foi totalmente destruída pela lama que tomou o Rio Doce logo no mesmo dia do estouro da barragem da Samarco. Procurada, a Samarco não respondeu a pedidos de comentário.

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