Cresce pressão para China controlar Coreia do Norte; Sul ativa propaganda por alto-falantes

Jack Kim e Michael Martina

Em Seul e Pequim

A Coreia do Sul ativou um paredão de alto-falantes de vários decibéis de potência que veicula propaganda ao longo de sua fronteira com a Coreia do Norte, em retaliação ao teste nuclear feito pelo país vizinho, enquanto os EUA pediram à China que encerre os negócios de sempre junto ao regime aliado de Pyongyang.

As transmissões, veiculadas de alto-falantes instalados em 11 locais ao longo da fronteira fortemente militarizada, retumbavam discursos retóricos críticos ao regime norte-coreano e também músicas pop coreanas, elevando as tensões entre as Coreias.

A Coreia do Norte depois respondeu com suas próprias transmissões na fronteira.

A Coreia do Sul, que tem se aproximado cada vez mais da China nos últimos anos, também disse que seu ministro das Relações Exteriores conversaria com o chanceler chinês ainda nesta sexta (8).

O teste nuclear de quarta-feira (6) irritou tanto os EUA como a China, que não recebeu notificação prévia, embora o governo norte-americano e especialistas em armas tenham colocado em dúvida a declaração feita por Pyongyang de que o artefato testado era uma bomba de hidrogênio.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, disse na quinta ter deixado claro, num telefonema para o chanceler chinês, Wang Yi, que a postura da China em relação à Coreia do Norte não foi eficaz.

"A China tinha uma abordagem particular que queria fazer, que concordamos e respeitamos, de modo a dar espaço para que a implementassem", disse Kerry a jornalistas. "Hoje, na minha conversa com os chineses, deixei bastante claro que isso não funcionou e que não podemos continuar a fazer negócios como de costume."

A China é a principal aliada econômica e apoiadora diplomática da Coreia do Norte, embora as relações entre os antigos aliados da Guerra Fria tenham arrefecido nos últimos anos.

O chanceler chinês exortou a Coreia do Norte que atenda aos pedidos pela desnuclearização, evitando assim ações que possam piorar a situação, mas também afirmou que a China não vai ser a responsável por resolver a questão nuclear norte-coreana.

As transmissões da Coreia do Sul por meio de alto-falantes são consideradas um insulto pela isolada Coreia do Norte, que no passado ameaçou realizar ataques militares para interrompê-las. (Reportagem adicional de James Pearson, Se Young Lee, Christine Kim, Jee Heun Kahng, Ju-min Park e Jack Kim in Seul; Dagyum Ji, em Gimpo; Patricia Zengerle, Roberta Rampton, Doina Chiacu e Arshad Mohammed, em Washington; e Tim Kelly em Yokosuka)

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