Bovespa recua acompanhando perdas em NY e tombo do petróleo; Petrobras desaba

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice da Bovespa fechou em queda de mais de 2 por cento nesta sexta-feira, chegando a oscilar abaixo dos 39 mil pontos durante o pregão, pressionado pelo cenário negativo no exterior, onde petróleo Brent desabou abaixo de 29 dólares.

O Ibovespa caiu 2,36 por cento, a 38.569 pontos, menor patamar desde 9 de março de 2009. No pior momento do dia, o índice de referência do mercado acionário brasileiro caiu 3,83 por cento, a 37.986 pontos.

O volume financeiro no pregão somou 5,68 bilhões de reais.

O Ibovespa recuou de 5 por cento na semana, a terceira seguida no vermelho, e no ano acumula perdas de 11 por cento.

No exterior, os contratos futuros do petróleo recuaram ao redor de 6 por cento, para mínimas em 12 anos, por preocupações sobre a retirada em breve de sanções contra o Irã.

O movimento da commodity derrubou bolsas na Europa e impôs fortes perdas nos pregões em Wall Street, com o S&P 500 chegando a cair mais de 3 por cento no pior momento.

No Brasil, a pauta macroeconômica endossou o pessimismo, com dados de desemprego e atividade reforçando o cenário de debilidade da economia local.

DESTAQUES

- PETROBRAS fechou com um tombo de 9,14 por cento nas ações preferenciais, renovando mínima de fechamento desde agosto de 2003, na esteira do recuo dos preços do petróleo. Também estiveram no radar dados de produção da petroleira e declarações de executivos afirmando que a empresa somente recorrerá ao Tesouro Nacional em último caso e que o foco segue no plano de desinvestimentos. No ano, os papéis preferenciais acumulam perda de mais de quase 23 por cento. As ações ordinárias recuaram 7,19 por cento na sessão, ampliando a perda no ano para 21,7 por cento.

- VALE encerrou com as preferenciais de classe A em queda de 3,06 por cento, apesar do alívio na queda dos preços do minério de ferro à vista na China. Os papéis da mineradora seguem pressionados pelas perspectivas desfavoráveis para a commodity, em meio à desaceleração da China e potenciais desdobramentos negativos do acidente com a Samarco no final de 2015. Vale PNA contabiliza declínio de quase 30 por cento em 2016.

- USIMINAS fechou em queda de 7,69 por cento, abaixo 1 real, na menor cotação desde outubro de 2002, diante do quadro desfavorável para o setor siderúrgico e o minério de ferro. A empresa segue com o plano de cortes de cerca de 4 mil postos de trabalho na usina siderúrgica em Cubatão (SP), e paralisação da produção de aço da unidade, segundo sindicato de metalúrgicos. No ano, as ações acumulam queda de quase 40 por cento.

- RUMO ALL reverteu as perdas no ajuste de fechamento e encerrou com alta de quase 15 por cento, após ter recuado 23 por cento na mínima do dia, em meio à repercussão da notícia de que seu Conselho de Administração recomendou o cancelamento do aumento de capital em curso, corroborando apreensão no mercado com o risco de diluição de capital e acesso a financiamentos para satisfazer necessidades operacionais.

- BRF fechou em queda queda de 2,95 por cento, a 48,05 reais, renovando mínima desde junho de 2014. O Goldman Sachs cortou o preço-alvo das ações de 55 para 49 reais e manteve a recomendação de "venda".

- JBS recuou 2,72 por cento, em meio a relatório do Goldman Sachs cortando recomendação da ação para "neutra", bem como o seu preço-alvo de 19 para 12,80 reais. Também repercutiu a notícia de comprovação de que uma criação de perus nos Estados Unidos foi infectada com um tipo mortal de gripe aviária, que tem potencial impacto negativo na sua controlada norte-americana Pilgrim Pride.

- SUZANO PAPEL E CELULOSE foi uma das poucas altas do Ibovespa, com elevação de 1,7 por cento, amparada pela alta do dólar. Analistas do Itaú BBA reiteraram avaliação positiva para o setor, citando que a fraqueza do real mais do que compensa o esperado recuo nos preços da celulose, que o setor tem pouca exposição à deterioração da economia brasileira e, por fim, que há elevado retorno sobre o patrimônio.

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