Teste de medicamento na França provoca morte cerebral em voluntário

Por Matthias Blamont

PARIS (Reuters) - Uma pessoa teve morte cerebral e outras cinco foram hospitalizadas depois de participarem de um teste clínico na França para um medicamento experimental feito pelo laboratório português Bial, disse a ministra da Saúde da França, Marisol Touraine, nesta sexta-feira.

Um total de 90 pessoas participaram dos testes, tomando alguma dosagem da droga que visa atacar problemas de humor e ansiedade, assim como combater problemas motores ligados a questões neurológicas, disse a ministra.

Os seis homens, com idades entre 28 e 49 anos, estavam com boa saúde antes de tomarem o medicamento por via oral na Biotrial, estabelecimento privado especializado em testes clínicos, acrescentou a ministra.

"Isto não tem precedentes", disse Touraine em entrevista coletiva depois se reunir com voluntários e familiares deles em Rennes, no oeste da França. "Faremos tudo para entender o que aconteceu."

Promotores abriram uma investigação sobre o caso.

Os seis homens começaram a tomar o medicamento em 7 de janeiro. O voluntário que teve morte cerebral foi internado na segunda-feira, disse a ministra. Três dos outros cinco voluntários --internados entre quarta e quinta-feira-- podem sofrer sequelas irreversíveis, disse o médico Gilles Edan, embora ele ainda tenha esperanças de que isso seja evitado. Um desses seis voluntários não apresentou sintomas, mas estava sendo monitorado de perto.

Os testes com o medicamento já tinham sido realizados em animais, incluindo chimpanzés, após terem sido iniciados em julho, disse Touraine. Todos os testes com o remédio foram suspensos e todos os voluntários que participaram deles foram convocados, disse o ministério.

O medicamento envolve o chamado inibidor FAAH, que trabalha ao atingir o sistema endocabinóide do corpo, que também é responsável pela resposta humana à cannabis.

A ministra Touraine disse que o medicamento, que estava na Fase 1 de teste, não contém cannabis ou qualquer outra substância derivada da cannabis. Uma pessoa familiarizada com a situação havia dito mais cedo que o remédio era um analgésico a base de cannabis.

O Bial disse em comunicado que está comprometido em garantir o bem-estar dos participantes do teste e está trabalhando com as autoridades para descobrir a causa dos problemas. O laboratório acrescentou que os testes foram autorizados por autoridades francesas.

A empresa disse que cinco pessoas, não seis, foram hospitalizadas, incluindo a que teve morte cerebral, sem explicar a discrepância com os dados informados pelas autoridades francesas.

(Reportagem adicional de Ben Hirschler, John Irish e Noelle Mennella)

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