Sem acordo, disputa pela liderança do PMDB na Câmara pode ter três candidatos

Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) - Diante da falta de consenso de deputados peemedebistas de Minas Gerais em torno da candidatura de Leonardo Quintão (MG) para fazer frente à tentativa de Leonardo Picciani (RJ) de ser reconduzido à liderança da bancada do PMDB da Câmara, parlamentares contrários ao atual líder não descartam a possibilidade de uma terceira candidatura.

Segundo o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), integrante da ala mais oposicionista do partido, a discussão ainda é muito inicial e não há decisão sobre o tema. Reconhece, no entanto, que há conversas no partido sobre uma terceira candidatura, e que poderia ser de um deputado nordestino da sigla, uma forma de "aglutinar" o partido.

"Quando há uma demora para tomar uma decisão, pode haver margem para uma terceira candidatura", disse Vieira Lima à Reuters nesta terça-feira.

"(A terceira candidatura) seria também de oposição ao Picciani", disse o deputado.

Picciani tenta a reeleição ao posto de líder do PMDB da Câmara, mas enfrenta a resistência de parte do partido mais alinhado à oposição e ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que rompeu com o governo em julho do ano passado.

Apontado como um dos possíveis nomes para essa terceira candidatura, Hugo Motta (PB), aliado de Cunha, foi na mesma linha de Vieira Lima e afirmou que a discussão ainda está no começo e que a disputa pela liderança foi muito precipitada.

"Não posso ser candidato de mim mesmo, tem que ver como vai ficar", disse o deputado à Reuters. Embora tenha minimizado os rumores sobre disputar a liderança, ele não descartou "surpresas" no início de fevereiro, mês em que será feita a escolha do líder.

Quintão, por sua vez, reuniu-se com deputados mineiros na segunda-feira, mas não conseguiu consenso em torno de seu nome. Garante a aliados, no entanto, que tem 5 dos 7 votos da bancada mineira do partido.

A possibilidade de apresentação de três candidaturas à liderança, na opinião de Picciani, é uma atitude compatível com a tradicional postura do partido.

"O PMDB tem um histórico de disputa. O PMDB no seu dissenso acaba ao final das contas encontrando o consenso, não é nenhum bicho de sete cabeças", disse o atual líder a jornalistas.

Segundo Picciani, os deputados peemedebistas interessados na eleição para comandar a bancada terão até o dia 3 de fevereiro para inscrever suas candidaturas. A eleição está prevista para o dia 17 de fevereiro.

Ainda que quase a metade do partido na Câmara se posicione declaradamente contrária ao Planalto e favorável ao fim da aliança com o PT, o PMDB é de extrema importância para o governo. Um dos maiores partidos da Casa, tem papel decisivo em votações prioritárias, assim como na decisão sobre a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

A bancada da Câmara do PMDB deixou suas divergências evidentes durante a discussão sobre os nomes que representariam o partido na comissão especial que analisará a abertura de processo de impeachment contra a presidente.

Descontentes com as escolhas de Picciani, favoráveis ao Planalto, dissidentes da legenda apresentaram uma lista alternativa, aliados com a oposição. Venceram a eleição para os membros da comissão, mas ela foi posteriormente anulada por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

A ala de rebeldes chegou a destituir Picciani da liderança após esse episódio, colocando Quintão em seu lugar, mas o deputado fluminense conseguiu retomar o posto apenas oito dias depois.

COMANDO

Além da divisão da bancada na Câmara, peemedebistas enfrentam divergências para a escolha de seu presidente nacional. O atual titular do cargo, o vice-presidente da República Michel Temer, buscará ser reconduzido na convenção do partido em março.

Temer saiu desgastado do episódio da lista para a comissão especial e da troca repentina de liderança no fim do ano passado, razão pela qual tem evitado interferir diretamente na escolha do líder na Câmara. A ideia, segundo uma fonte do PMDB, é que o vice dedique os dias anteriores à convenção da legenda em março para angariar votos e garantir sua recondução.

Essa fonte minimizou a possibilidade de apresentação de candidatura alternativa à de Temer para a presidência do PMDB. A leitura é a de que a apresentação de um candidato alternativo ao comando do partido, que represente a ala do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), como tem sido especulado, poderia sinalizar sujeição aos interesses do Planalto.

A convenção nacional do PMDB pode tratar ainda do desembarque do partido do governo e da aliança do PT.

Segundo outra fonte dos peemedebistas, ligada à ala de senadores, é "certo" que a convenção de março tratará do desembarque, mas na avaliação dessa fonte, o PMDB não deve decidir por um rompimento drástico.

"Ao longo do ano (de 2015) já havia essa consciência de que tinha que iniciar esse desembarque, mas um início de desembarque. Pode ser, por exemplo, uma decisão de liberar as alianças para as eleições municipais, é uma tese que pode ganhar corpo", disse.

Temer deve se reunir com Dilma na quarta-feira, o primeiro encontro dos dois neste ano.

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