BC do Japão deve cortar projeção de inflação no próximo ano fiscal para abaixo de 1%

Por Leika Kihara

TÓQUIO (Reuters) - O banco central do Japão deve reduzir sua estimativa do núcleo da inflação ao consumidor do próximo ano fiscal para possivelmente abaixo de 1 por cento na próxima semana, disseram três fontes próximas à entidade.

Uma previsão mais baixa para refletir nova queda nos preços do petróleo seria uma forte correção em relação à atual estimativa do banco central de 1,4 por cento para o ano que começa em abril, ficando ainda mais longe da meta de 2 por cento.

Têm crescido as expectativas do mercado de que o banco central do Japão reduziria sua estimativa para a inflação, mas poucos analistas esperam queda para abaixo de 1 por cento. Tal decisão deve reforçar as expectativas de que o BC vai expandir novamente seu forte programa de estímulo nos próximos meses.

Entretanto, as fontes disseram que o Banco do Japão deve manter sua estimativa para a inflação no ano fiscal de 2017 em 1,8 por cento, permitindo que argumente que o país ainda está a caminho de alcançar a meta, mesmo que em ritmo mais lento.

"Um forte corte na estimativa de inflação para o próximo ano fiscal deve-se inevitavelmente ao efeito do petróleo", disse uma das fontes sob condição de anonimato.

"A questão é se as melhoras nas tendências de preços continuarão e como as movimentações do petróleo afetam as expectativas de inflação", disse outra fonte.

Embora a revisão possa aumentar a pressão sobre o banco central do Japão para expandir seu programa de estímulos monetários, é incerto se o banco vai afrouxar a política monetária em sua próxima revisão dos juros em 28 e 29 de janeiro, disseram analistas.

"A chance de um afrouxamento adicional está aumentando. As negociações de aumentos salariais (entre sindicatos trabalhistas e empresas) não parecem promissoras. As expectativas inflacionárias estão enfraquecendo também", disse o economista sênior do JPMorgan Securities Masamichi Adachi.

O banco central disse que vai avaliar o impacto do petróleo no cálculo da tendência dos preços, que para o BC está melhorando com os consumidores se tornando mais receptivos a aumentos de preços.

Mas algumas autoridades do banco estão se tornando mais apreensivas de que a queda dos preços do petróleo e a subsequente desaceleração dos preços ao consumidor podem atingir as já baixas expectativas inflacionários, e desencorajar as empresas a elevar os salários.

(Reportagem adicional de Yoshifumi Takemoto e Sumio Ito)

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