Em primeiro encontro com Dilma no ano, Temer diz que governo precisa ouvir mais

  • Por Lisandra Paraguassu e Maria Carolina Marcello

Por Lisandra Paraguassu e Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) - No primeiro encontro do ano com a presidente Dilma Rousseff, o vice-presidente Michel Temer aproveitou para dizer que o governo precisa “ouvir mais do que falar” e consultar a sociedade, seus aliados e o setor empresarial, especialmente para dar sequência ao ajuste fiscal e às mudanças econômicas, disseram à Reuters fontes do Planalto e ligadas ao vice nesta quarta-feira.

As relações entre Dilma e Temer estão estremecidas há alguns meses, desde que o vice-presidente deixou a articulação política do governo acusando o Planalto de sabotar seus esforços.

Temer chegou a enviar uma carta para a presidente com reclamações sobre a maneira como vinha sendo tratado. Desde o final do ano passado, no entanto, Dilma tem procurado uma reaproximação. Desta vez, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, serviu de intermediário e o encontro foi marcado na terça-feira.

Dilma disse ao seu vice que irá sim ouvir mais e aproveitou a avaliação de Temer para convidá-lo a participar da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que será reativado e terá seu primeiro encontro na semana que vem.

Temer confirmou então que participará e sugeriu que haja incentivo no âmbito do Conselho a novas ideias de medidas voltadas a setores específicos para retomar a economia, e que o órgão seja composto por empresários representativos.

O encontro desta manhã foi mais um passo no esforço de melhorar a relação entre os dois, que ficaram ainda mais abaladas após o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ter acatado o pedido de abertura de processo de impeachment contra Dilma.

No início do encontro de pouco mais de uma hora, a presidente comentou relatório divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado na terça-feira, que, segundo ela, reforça a percepção de que a crise é internacional, e não apenas na economia brasileira.

Temer aproveitou a deixa para mencionar documento formulado pelo PMDB com uma série de sugestões e medidas para o país sair da crise, intitulado "Uma Ponte para o Futuro". Dilma, de acordo com uma das fontes, disse ao vice que as propostas já estão com o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, que avalia quais delas poderiam ser incorporadas pelo governo.

Dilma e Temer passaram cerca de 15 minutos sozinhos. Depois desse período os ministros da Casa Civil, Jaques Wagner, e da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, participaram da reunião.

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