Azul cortará oferta doméstica em 7% e enviará aeronaves à TAP, diz presidente

Por Priscila Jordão e Brad Haynes

SÃO PAULO (Reuters) - A malha prevista pela Azul Linhas Aéreas Brasileiras para abril vai ter um corte de 7 por cento na oferta doméstica em relação ao começo deste ano, o que levará a reduções de frota e envio de aeronaves para a parceira portuguesa TAP, disse a empresa à Reuters nesta quinta-feira.

Segundo o presidente da Azul, Antonoaldo Neves, pode haver redução de capacidade também no segmento internacional neste ano, mas é cedo para ter certeza. Para a oferta doméstica, não são previstos novos cortes em 2016 no momento.

Em meio aos planos de cortes, a companhia disse que vai enviar à TAP nove jatos E190 da Embraer, seis ATRs e dois A330, da Airbus, estes últimos fariam rota para Nova York e nem chegaram a voar pela companhia. A Azul também vai devolver três E190 cujo contrato de leasing está perto de acabar.

"Precisamos reduzir capacidade no Brasil independente da TAP. A TAP participou do processo e preferimos que as aeronaves fossem para ela porque é uma empresa irmã. Se não fossem para ela, iriam para outra empresa", disse Neves.

A TAP foi adquirida por consórcio formado pelo fundador da Azul, David Neeleman, e pelo empresário português Humberto Pedrosa e possui acordo de compartilhamento de voos com companhia aérea brasileira, a terceira maior do país.

A Azul anunciou nesta quinta-feira sua primeira rota para a Europa, de Campinas (SP) para Lisboa, como parte das sinergias com a portuguesa, uma vez que a TAP já tem todas as frequências de Guarulhos (SP) para a Europa utilizadas.

"Não faz sentido por enquanto termos outros planos na Europa porque a TAP tem uma conectividade maravilhosa em Lisboa", afirmou Neves. Com a rota para Nova York ainda suspensa principalmente por conta da alta do dólar, os planos futuros para a operação da Azul no exterior podem incluir algum destino na América do Sul, mas a empresa está "muito conservadora" em relação ao mercado internacional.

Para o presidente da Azul, um acordo maior de integração com a TAP, como uma joint-venture, ainda não poderia ocorrer porque não existe um acordo de céus abertos entre o Brasil e a Europa.

A Azul também informou que fechou um acordo de 100 milhões de dólares com o chinês Bank of Communications (BoComm) no fim de 2015 para refinanciar aeronaves. A operação vem após acordo de leasing de 200 milhões de dólares no ano passado com o Industrial and Commercial Bank of China (ICBC). Com os dois negócios em conjunto, a Azul refinanciou dez aviões Embraer usados na frota e três novos.

CONSOLIDAÇÃO NO BRASIL

Sobre um eventual processo de consolidação no Brasil, em um momento em que a lucratividade das companhias aéreas sofre com maiores custos com combustível por causa da valorização do dólar e menor demanda de passageiros, o presidente da Azul afirmou que a empresa não está à venda.

"Quando você está em um momento de crise, para as aéreas voltarem a ser rentáveis não tem um só caminho, da consolidação, você também tem ajuste de capacidade, que está acontecendo hoje", disse Neves.

"Se vai haver ou não (consolidação), depende de como a oferta e a demanda vão evoluir. Temos hoje plano estratégico definido que está se provando sustentável e atrativo."

Neves citou acordo com o chinês HNA Group assinado no ano passado para se tornar acionista da Azul e que avaliou a empresa na época em mais de 7 bilhões de reais.

Os comentários do executivo vêm após o presidente da rival Gol, Paulo Kakinoff, afirmar que, pessoalmente, vê o movimento de fusões e aquisições do setor aéreo se intensificando na América Latina.

Nesta semana, os analistas Victor Mizusaki e Leandro Fontanesi, do Bradesco BBI, escreveram em relatório que as companhias aéreas Delta Air Lines e Azul podem ter interesse em aquisição ou fusão com a Gol.

Para eles, a Gol e a Azul poderiam se unir para capturar sinergias com sua malha. Além disso, um acordo permitiria otimização do tamanho das frotas, com a potencial venda de aeronaves para a TAP e para o HNA Group.

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