Essencial na correlação de forças, ministro segue na Saúde apesar de declarações

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - As declarações desastradas do ministro da Saúde, Marcelo Castro, em meio à epidemia de Zika vírus e microcefalia no país, causaram incômodo no Palácio do Planalto, mas não a ponto de o peemedebista, visto como essencial para o governo em meio à crise política, perder o cargo, afirmaram fontes palacianas.

"É uma canoa furada falar em mudança no Ministério da Saúde", afirmou o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner.

Três outras fontes palacianas, que falaram sob condição de anonimato, também descartaram uma possível saída do ministro. “Tem gente que transforma desejo em fofoca", afirmou uma delas.

Segundo outra fonte, Castro continua "firme e forte". "Não dá para tirar ministro em meio ao combate à epidemia e em uma crise política”, avaliou.

Fiel à presidente Dilma Rousseff, defensor do governo e de que o PMDB se mantenha na base aliada, Castro é visto hoje por Dilma e por seus auxiliares como uma peça importante em um momento em que o Planalto está prestes a enfrentar na Câmara a abertura de um processo de impeachment contra a presidente.

Indicado pelo líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), Castro  foi aceito com relutância por Dilma na reforma ministerial de outubro no ano passado, mas terminou por ganhar espaço por ter aderido completamente ao governo.

O ministro têm influência bancada da Câmara e uma relação próxima não apenas com Picciani, mas também com o vice-presidente, Michel Temer. A saída de Castro não apenas desagradaria o líder do PMDB –que pode ser indicado para um novo período na liderança agora em fevereiro– como alienaria o próprio ministro.

Ainda assim, um assessor próximo de Dilma pressionava pela saída do ministro, considerado desastrado e “excessivamente espontâneo”. Chegou-se a vender a ideia de que Castro seria tirado da linha de frente do combate ao Zika vírus, entregando o comando ao ministro Jaques Wagner, contou uma dessas fontes ouvidas pela Reuters, o que foi negado pela Casa Civil.

A estratégia de queimar o ministro ganhou apoio do PMDB, partido do próprio Castro, como forma de criar diferenças na base na Câmara em um momento em que o partido se prepara para eleger o novo líder na Casa e a disputa entre Picciani, apoiado pelo governo, e Hugo Motta (PB), defendido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, está acirrada. 

Seria uma forma de enfraquecer Picciani, mostrando que o governo não honra os compromissos mesmo com quem os apóia, contou uma das fontes.

As declarações polêmicas -entre outras, disse que o Brasil estava perdendo a guerra para o mosquito Aedes aegypti, que as mulheres eram mais vulneráveis por usarem saias e que “torcia” para que fossem infectadas pelo Zika para que ficassem imunizadas– incomodaram Dilma por passarem um alarmismo e a ideia de que o governo não teria como resolver o problema.

Ainda assim, disse uma das fontes, não há motivo para tirá-lo do cargo. “Falar coisas inapropriadas em algum momento todos nós já fizemos”, avaliou.  

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