Governo deve anunciar novo desligamento de termelétricas, diz fonte

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O governo deverá anunciar ainda essa semana o desligamento de mais usinas termelétricas a partir de março, o que poderá implicar numa redução nos custos da geração de energia e um alívio na conta dos consumidores brasileiros, disse à Reuters uma fonte com conhecimento direto do assunto.

Com as chuvas intensas nos meses de verão, o governo calcula que já é possível promover o desligamento de térmicas com custo mais elevado, superior a 420 reais por megawatt-hora.

"Essa deve ser a nova linha de corte das térmicas a partir de março", disse a fonte, sob condição de anonimato.

As chuvas intensas estão repondo gradativamente o nível de reservatórios brasileiros, principalmente aqueles localizados nas regiões Sul e Sudeste.

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) vai se reunir na quarta-feira para tratar deste e de outros assuntos.

"Desligar agora, já, não dá por conta da situação do Norte e do Nordeste, mas a decisão é fazer a partir de março. A situação está mais favorável e a perspectiva é que continue chovendo", afirmou a fonte.

Em agosto, o CMSE decidiu desligar o equivalente a cerca de 2 mil megawatts (MW) médios gerados em termelétricas com custo de operação superior a 600 reais por megawatt-hora.

As hidrelétricas do Nordeste deverão receber chuvas de 118 por cento da média história em fevereiro, segundo projeção do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), ante estimativas abaixo de 40 por cento da média em janeiro.

No Sudeste, onde está a maior parte da capacidade hídrica, a previsão para o próximo mês é de chuvas em 110 por cento da média.

Especialistas ouvidos pela Reuters na semana passada haviam sinalizado que novos os dados hidrológicos abriam caminho para o governo antecipar o desligamento de térmicas.

Se o desligamento for confirmado, o custo de geração de energia tende a cair, potencialmente aliviando também as tarifas pagas pelos consumidores.

O Brasil enfrentou escassez de chuvas e redução dos níveis dos reservatórios da hidrelétricas nos últimos dois anos, obrigado a um maior acionamento de usinas térmicas, que custam e poluem mais.

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) projetou nesta segunda-feira que os reservatórios das hidrelétricas do Brasil deverão subir rapidamente até um pico de 77 por cento da capacidade em maio, ante 41 por cento no final de janeiro. Se alcançada essa marca, seria o melhor nível desde maio de 2012.

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