Bovespa tem maior queda diária desde 2011 por cena externa e balanços locais

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice da Bovespa fechou com a maior queda percentual desde agosto de 2011, abaixo dos 39 mil pontos, com cenário externo negativo e frustração com resultados e perspectivas de Itaú Unibanco e Cielo corroborando um movimento de realização de lucro, após quatro pregões de alta.

O Ibovespa caiu 4,87 por cento, a 38.596 pontos, depois de ter acumulado ganhos de 8,2 por cento nos quatro pregões anteriores. O volume financeiro somou 6,39 bilhões de reais.

Em Wall Street, o S&P 500 recuou 1,87 por cento, conforme o declínio acentuado do petróleo exacerbou temores sobre a saúde da economia global, levando investidores a buscarem ativos considerados seguros.

De acordo com o gestor Joaquim Kokudai, da JPP Capital, o viés do mercado financeiro global tem prevalecido como influência na bolsa paulista, com destaque para movimento do petróleo, que nesta sessão pesou negativamente.

No quadro local, a pressão veio da divulgação de estimativas do Itaú Unibanco, que preocuparam investidores.

DESTAQUES

- ITAÚ UNIBANCO desabou 8,72 por cento, maior queda percentual desde agosto de 2011, com agentes financeiros reagindo negativamente às previsões do maior banco privado do país, como a de aumento dos índices de inadimplência. A equipe do JPMorgan revisou suas estimativas para o banco e cortou o preço-alvo para 28 reais.

- CIELO despencou 6,45 por cento, na maior queda desde setembro de 2012, que levou a cotação do papel para 31,20 reais, menor valor em cerca de um ano. A maior empresa de meios eletrônicos de pagamentos do país divulgou na noite de segunda-feira lucro líquido de 899,17 milhões de reais no quarto trimestre, abaixo da projeção média de analistas consultados pela Reuters, de 954 milhões de reais.

- VALE recuou com força, em meio a temores sobre a debilidade da economia global e o efeito nos preços de commodities. As ações preferencias recuaram 9,38 por cento, maior queda percentual desde outubro de 2008, para 6,57 reais, mínima desde maio de 2004, enquanto as ações ordinárias despencaram 9,47 por cento. "O cenário de demanda pode ser pior do que imaginamos", disse o BTG Pactual em nota a clientes, explicando que as ações refletem este risco.

- PETROBRAS encerrou com as preferenciais desabando 8,9 por cento e as ações ordinárias em queda de 8,51 por cento, conforme os preços do petróleo engataram sessão de forte queda no exterior, por persistentes preocupações com o excesso de oferta e enfraquecimento de esperanças de um acordo entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a Rússia para reduzir a produção.

- CEMIG liderou as perdas do Ibovespa, com tombo de 21,05 por cento, após acumular ganho de quase 50 por cento nos quatro pregões anteriores. Em relatório com a pergunta "Por que tão otimista?", o Itaú BBA cortou a recomendação da ação para "underperform" e afirmou que a alta recente não era merecida, pois a empresa segue dependente de melhorias no mercado de crédito, "que parecem pouco prováveis".

- NATURA subiu 1,03 por cento, entre as poucas altas, com profissionais do mercado atrelando o movimento a operações ligadas ao mercado de aluguel.

- GOL, que não está mais no Ibovespa, despencou mais de 15 por cento, após ter subido cerca de 90 por cento nos

nos últimos dois pregões, em meio a dados operacionais mostrando crescimento na receita líquida por passageiro e expectativas sobre eventual mudanças nas regras sobre participação de estrangeiros no controle das companhias aéreas no Brasil.

- BANCO SOFISA, que também não faz parte do Ibovespa, saltou 49,2 por cento, após divulgar que seu controlador quer realizar oferta pública de aquisição (OPA) de ações para fechar capital e sair da bolsa.

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