Medo do Zika leva Filipinas a aconselhar mulheres a adiar gravidez

MANILA (Reuters) - Uma ministra das Filipinas exortou as mulheres a adiar a gravidez até que se saiba mais sobre o Zika vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti e que se alastra pelas Américas, embora o único caso de doença no país asiático tenha sido relatado quatro anos atrás.

Ainda se desconhece muita coisa sobre o Zika, mas o vírus vem sendo ligado a milhares de casos de microcefalia no Brasil, e a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o Zika vírus uma emergência global de saúde pública.

"Àquelas que não estão com pressa para ficar grávidas, talvez elas possam adiar e esperar até o ano que vem, quando saberemos mais sobre o vírus", disse a ministra filipina da Saúde, Janet Garin, em entrevista a uma rádio no último domingo, sugerindo que as mulheres recorram a métodos de planejamento familiar.

Janet disse que também está pedindo aos filipinos que evitem países afetados pelo Zika, porque "viajantes que contraíram a doença no exterior podem depois transmitir o vírus sexualmente a seus parceiros".

O temor a respeito do Zika cresceu depois dos alertas da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) de que, em alguns casos, o vírus pode ter sido transmitido por via sexual.

O único caso de Zika das Filipinas ocorreu em 2012 e envolveu um adolescente da ilha de Cebu, no centro do país.

"Embora não tenhamos quaisquer relatos de casos até este momento aqui nas Filipinas, sabemos que a ameaça existe", afirmou Lyndon Lee-Suy, porta-voz do Ministério da Saúde, à Reuters nesta segunda-feira. "Mesmo os maridos deveriam estar cientes dos riscos de gravidez".

Não existe vacina ou tratamento disponível para o Zika, que causa febre amena, irritação na pele e vermelhidão nos olhos. Estimadas 80 por cento das pessoas infectadas não mostram sintomas.

Ainda nesta segunda-feira, um bispo católico sem papas na língua acusou a ministra da Saúde de usar o medo do Zika para induzir a prática do planejamento familiar.

"Está além de sua competência dizer isso", afirmou o arcebispo Oscar Cruz. "Faz parte de sua função dizer quando as mulheres podem ficar grávidas ou não? Faz mesmo?"

O governo está tentando implementar uma polêmica lei de saúde reprodutiva, e o Estado vem defendendo o uso de métodos contraceptivos.

(Por Karen Lema e Manuel Mogato)

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