Membros do Fed discutiram mudança na trajetória de alta dos juros, mostra ata

Por Jason Lange e Lindsay Dunsmuir

WASHINGTON (Reuters) - Autoridades do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, temiam no mês passado que as condições financeiras globais mais apertadas poderiam afetar a economia norte-americana e consideraram mudar a trajetória planejada de altas de juros em 2016.

"Se o recente aperto das condições financeiras globais for sustentado, pode ser um fator amplificando os riscos" à economia, de acordo com a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) divulgada nesta quarta-feira.

A maioria das autoridades ainda esperava aumentar os juros e até discutiu se uma elevação seria justificada em janeiro. Mas após extensa discussão sobre os riscos globais, o comitê decidiu que condições financeiras mais apertadas podem ser "aproximadamente equivalentes" a novos aumentos.

Autoridades discutiram "alterar suas visões anteriores sobre a trajetória apropriada para a taxa básica de juros", de acordo com a ata.

No entanto, o Fomc concordou que seria prematuro alterar sua perspectiva para a economia dos EUA, dizendo que vai monitorar atentamente os desenvolvimentos econômicos globais, além dos preços do petróleo e das ações.

Isso sugere que a recente desaceleração do crescimento global e fortes quedas nos mercados de ações estão levando o Fed a considerar recuar dos sinais que enviou em dezembro, quando indicou que poderia aumentar os juros quatro vezes neste ano.

"Vários integrantes estavam preocupados com o possível peso sobre a economia dos EUA proveniente dos efeitos mais amplos de desaceleração maior do que a esperada na China e outros (emergentes)", de acordo com a ata.

Wall Street tem adotado postura cética em relação à possibilidade de o Fed aumentar os juros neste ano. Antes da divulgação da ata, os contratos futuros de juros nos EUA apontavam que investidores viam chance de cerca de 40 por cento de elevação em dezembro e menos do que isso nas reuniões anteriores, de acordo com o CME Group.

Os mercados financeiros globais têm apresentado volatilidade desde a reunião de janeiro do Fed, levando o México, um dos principais parceiros comerciais dos EUA, a aumentar os juros nesta quarta-feira para combater a alta do dólar contra o peso.

A ata ressaltou que os problemas da China podem pesar sobre México e Canadá, outro parceiro comercial importante dos EUA.

Na época da reunião de janeiro, os preços do petróleo ainda tinham forte queda, mas nesta quarta-feira chegaram a subir 7 por cento após o Irã expressar apoio aos esforços encabeçados por Rússia e Arábia Saudita para limitar a produção.

A chair do Fed, Janet Yellen, disse na semana passada que o banco central norte-americano ainda deve aumentar os juros gradualmente mas reconheceu que o enfraquecimento da economia global e o forte tombo das bolsas de valores estão apertando as condições financeiras mais rapidamente do que o Fed deseja.

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