Serviços têm em 2015 1º resultado anual negativo após 3 anos de altas

  • Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - Sob o peso das fortes perdas registradas na atividade de transportes diante da fraqueza da indústria, o volume do setor de serviços do Brasil encerrou 2015 com o pior resultado em quatro anos sem perspectivas de recuperação no curto prazo.

No ano passado, o volume do setor de serviços acumulou perdas de 3,6 por cento, o primeiro resultado negativo na série iniciada em 2012, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Somente em dezembro a queda foi de 5,0 por cento na comparação com o mesmo mês de 2014, encerrando um ano em que somente o mês de março apresentou resultado positivo, o que mostra como o setor sucumbiu à forte recessão econômica e à fraqueza da renda do trabalhador.

Com a confiança de consumidores e empresários abalada diante ainda das turbulências políticas, analistas dizem ser difícil perceber algum sinal de recuperação em breve.

"A diminuição da demanda por serviços é muito mais em função da falta de confiança e perspectiva de falta de emprego. Para os próximos seis meses não enxergo perspectiva boa para o setor", disse a economista do CM Capital Markets Jessica Strasburg.

TRANSPORTES

Em 2015, a maior queda foi registrada pela atividade de transporte terrestre, com recuo no volume total de 10,4 por cento. Somente em dezembro a perda foi de 11,5 por cento sobre o ano anterior

"A queda do setor de transporte está diretamente ligada à conjuntura econômica devido ao menor consumo da indústria e distribuição dos produtos", explicou o gerente da pesquisa no IBGE Roberto Saldanha.

"Mesmo com o crescimento do agribusiness brasileiro, esse transporte não é suficiente para alavancar o resultado nacional", completou.

O volume do chamado agregado especial Atividades turísticas, considerado pelo IBGE como um item à parte por repetir serviços já avaliados em outras atividades, recuou 1,4 por cento em dezembro, acumulando em 2015 queda de 2,1 por cento.

Já a receita nominal de serviços avançou em dezembro 0,3 por cento na comparação anual, chegando em 2015 a uma alta total acumulada de 1,3 por cento, num ano em que a inflação oficial foi de 10,67.

O setor de serviços, outrora ponto de destaque na economia brasileira, debilitou-se fortemente ao longo de 2015 com o aumento do desemprego em meio à maior recessão em décadas enfrentada pelo país.

Todos esses fatores se prolongaram pelo início de 2016, como aponta a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês), que mostra o setor de serviços ainda em contração em janeiro.

O economista da LCA Antonio Madeira destaca que a demanda este ano continuará fraca tanto do lado das famílias quanto das empresas, mantendo baixas as expectativas para o setor de serviços.

"A demanda das famílias depende do comportamento da massa salarial, que não é favorável também pela própria inflação. E do lado das empresas, elas vão se deparar com quadro de margens apertadas, e parte do processo de corte de custos envolve a demanda de serviços", disse ele.

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