Braskem estuda diversificar matéria-prima no Brasil, diz presidente

Por Priscila Jordão

SÃO PAULO (Reuters) - A Braskem está estudando a possibilidade de diversificar sua matéria-prima no Brasil, onde consome principalmente nafta, o que pode envolver a migração de uma pequena parte do insumo para gás, disse o presidente da petroquímica, Carlos Fadigas, a jornalistas nesta quinta-feira.

O executivo ressaltou que a questão é de longo prazo. A substituição seria menos propícia em fábricas com logística mais difícil, como a do ABC paulista, afirmou Fadigas, e mais propícia em fábricas com conexão com a costa e o litoral do país.

"Há iniciativas que eu espero que no curto prazo possam ser divididas de migrar uma parte pequena para gás, mas esse é um projeto de década", disse.

Os estudos ocorrem após a Braskem ter firmado com a Petrobras em dezembro contrato para fornecimento de nafta por um preço que considerou caro, a fim de encerrar a incerteza em torno da questão -- o acordo teve cinco aditivos de curto prazo enquanto as empresas não chegavam a um consenso.

Além da questão do preço, a Braskem disse que o contrato alcançado também não é ideal pois tem duração de apenas cinco anos, e não dez, além de poder ser renegociado no terceiro ano. A petroquímica vinha afirmando que a falta de um acordo de prazo mais longo estava travando investimentos.

Segundo a empresa, a Petrobras estava usando o nafta de suas refinarias na produção de gasolina, motivo pelo qual passou a importar o insumo para atender a Braskem, tentando repassar o custo à petroquímica.

Fadigas disse nesta quinta-feira que a Braskem não firmou um contrato com a estatal para transformar matéria-prima importada, e sim nacional e que a empresa não vai mudar sua estratégia caso a Petrobras venda sua participação na petroquímica, de 36 por cento.

2016

Para este ano, a expectativa da Braskem é se beneficiar nas exportações, com o dólar mais forte, e do início da operação de sua nova fábrica no México, disse Fadigas. Contudo, segundo ele, os spreads petroquímicos não devem ser tão favoráveis quanto os de 2015, já que no ano passado problemas operacionais de concorrentes permitiram spreads muito positivos.

A petroquímica deve aumentar as exportações, cuja rentabilidade é menor que a das vendas para o mercado interno, por conta do cenário recessivo brasileiro. A demanda do Brasil por resinas encolheu 7,6 por cento em 2015.

Para 2016, a projeção da Braskem é de que o mercado nacional de resina retroceda por volta de 4 ou 5 pontos percentuais, caso se confirmem as expectativas ruins para o PIB.

"A Braskem não gostaria de ficar mais dependente da exportação, mas a capacidade de exportar é boa notícia", disse Fadigas.

A companhia projeta investimento de 3,66 bilhões de reais este ano, 50 por cento atrelado ao dólar e referentes às operações na Estados Unidos e Europa. Sem incluir os gastos com a nova planta da empresa no México, o investimento programado é de 2,33 bilhões de reais. Em 2015, a empresa investiu 2,38 bilhões de reais.

A petroquímica teve lucro líquido de 158 milhões de reais no quarto trimestre, revertendo resultado negativo de 24 milhões de reais sofrido um ano antes. A companhia teve geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de 2,234 bilhões de reais em termos ajustados, alta de 65 por cento sobre o obtido um ano antes.

O Conselho de Administração da Braskem decidiu encaminhar para assembleia, que deve ocorrer em abril, proposta de distribuição de 1 bilhão de reais em dividendos, disse Fadigas.

As ações da Braskem exibiam alta de 6,6 por cento às 13h30, enquanto o Ibovespa operava estável.

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