Atraso em linhas de energia da Abengoa pode ser compensado no curto prazo, diz ONS

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O atraso em obras de linhas de transmissão da espanhola Abengoa no Brasil pode ser compensado no curto prazo, disse à Reuters nessa sexta-feira o diretor geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp.

Segundo ele, embora a situação da Abengoa seja "preocupante" para o Brasil, a perspectiva é que haja uma solução do governo para que as obras das linhas de transmissão atrasadas sejam finalizadas até 2018.

Até lá, seria possível ao ONS utilizar "medidas operativas" para evitar problemas no fornecimento.

"A situação da Abengoa gera preocupação não só para o Operador, mas para o Ministério (de Minas e Energia), Aneel, EPE (Empresa de Pesquisa Energética), porque se o sistema é planejado e há atraso, temos que prover medidas operativas", disse Chipp.

As obras da Abengoa, empresa que entrou com pedido de recuperação judicial na Espanha e no Brasil, estão paradas e sua retomada não deverá ser simples, uma vez que a companhia deixou "centenas de milhões de reais" em pagamentos atrasados a fornecedores, disse esta semana uma fonte com conhecimento direto dos projetos.

Chipp destacou que a redução na demanda por energia, em razão da crise econômica do país, minimiza os potenciais problemas com atraso na entrega das linhas, mas há necessidade de retomada das obras.

"Como há redução de demanda, a gente consegue no curto prazo suprir (o sistema) com medidas operativas. No médio e longo prazo a gente precisa das obras porque a demanda vai ser retomada. Não vamos ficar em crise a vida inteira", disse Chipp.

A expectativa dele é que o governo encontre uma solução para o atraso na obras da Abengoa o mais "rápido possível", de forma que as linhas estejam finalizadas até 2018, afirmou o diretor, que evitou comentar quais seriam as opções para solucionar o atraso.

CARGA

A carga de energia elétrica do Sistema Interligado Nacional caiu 1,8 por cento em 2015 ante 2014, devido à desaceleração da economia.

A previsão de Chipp de é que haja uma queda menor esse ano.

"Começa uma recuperação da economia esse ano e isso é acompanhado pela carga", projetou.

HORÁRIO DE VERÃO

À meia noite de sábado termina o horário de verão no país, que começou há cerca de 4 meses em algumas regiões.

Segundo o ONS, durante a vigência da mudança houve redução de demanda no horário de pico de consumo noturno (de 18:00 a 21:00) de 2,6 gigawatts, o equivalente a 4,5 por cento da demanda das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Em termos de energia, a redução da demanda no horário de pico proporcionou uma economia de 200 MWs médios por mês, ou 0,4 por cento de ganho de armazenamento de água nos reservatórios das usinas localizadas no Centro-Oeste/Sudeste.

No Sul, a cada mês do horário de verão, a economia foi de 60 MWs médios, o que representa 1,2 por cento de ganho de armazenamento nos reservatórios.

A economia em geração térmica com o horário de verão foi de 162 milhões de reais.

"Em anos anteriores, esse montante já foi maior, de mais de 400 milhões de reais, porque geramos menos térmicas em 2014, por exemplo", disse Chipp.

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