OMS diz que há evidência crescente de ligação do Zika com microcefalia

  • Por Stephanie Nebehay

Por Stephanie Nebehay

GENEBRA (Reuters) - A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse nesta sexta-feira que há um crescente acúmulo de evidências de ligação entre o Zika vírus e a microcefalia, má-formação cerebral em recém-nascidos, mas que pode levar de 4 a 6 meses para se provar essa relação.

Em autópsias, médicos brasileiros encontraram indícios do vírus nos cérebros de bebês nascidos com microcefalia, afirmou o diretor do departamento de epidemias e emergências de saúde da OMS, doutor Bruce Aylward.

"Isto ainda não prova uma relação causal... mas é o acúmulo crescente de indícios, em termos da associação temporal–geográfica do vírus e das consequências, que nos preocupa", disse ele em um boletim à imprensa. "Estamos vendo uma falta de outras causas explicativas."

A OMS declarou o surto de Zika, que já se disseminou em quase 30 países e territórios, uma emergência de saúde pública mundial no dia 1o de fevereiro.

Aylward disse que no início do próximo mês as pesquisas de desenvolvimento de exames diagnósticos e vacinas contra o Zika serão aceleradas através da convocação de especialistas internacionais – algo "muito parecido ao que fizemos nos primeiros dias do (surto) de Ebola", afirmou.

Mais de 500 casos de microcefalia ou outras alterações do sistema nervoso central foram confirmados no Brasil, dos quais a "maior parte" está ligada à infecção pelo Zika vírus, segundo o Ministério da Saúde. Outros 3.935 casos suspeitos de microcefalia no país estão sendo investigados.

Gestantes da Colômbia diagnosticadas com o Zika vírus terão filhos nos próximos meses, o que representa uma oportunidade para se obter mais indícios, argumentou Aylward.

"Provavelmente se passarão em torno de 4, 5 ou 6 meses até que possamos dizer com alguma certeza", disse ele a respeito da suposta ligação.

Em seu comunicado de 1o de fevereiro, a OMS citou uma "forte suspeita" de relação entre o Zika vírus, que é transmitido por mosquitos, e infecções na gravidez e microcefalia.

"Muito pode ser feito em termos de se reduzir a intensidade da transmissão de Zika, e os indícios acumulados mostram que isso tem que ser feito e feito com muita, muita urgência", disse Aylward.

A OMS também irá reunir especialistas em doenças transmitidas por vetores nas próximas três a quatro semanas para estudar "ferramentas inovadoras" de controle dos mosquitos que portam o vírus, afirmou Pedro Alonso, especialista da entidade.

Entre elas estão o uso de mosquitos geneticamente modificados cujas larvas morrem rapidamente, ou outros meios de reduzir o ciclo de vida dos insetos ou torná-los estéreis, disse ele.

(Reportagem de Stephanie Nebehay)

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