Eletropaulo investirá R$300 mi adicionais até 2017 para melhorar serviço

SÃO PAULO (Reuters) - A distribuidora AES Eletropaulo fará investimento extra de 300 milhões de reais até 2017 para melhorar o serviço, disseram executivos da companhia em teleconferência nesta quarta-feira, após o balanço do quarto trimestre de 2015 ter trazido provisões milionárias decorrentes de problemas em indicadores de qualidade da concessionária.

"Até 2017 vamos investir um adicional de 300 milhões ante o que havíamos apresentado como guidance anteriormente", afirmou o diretor-financeiro Francisco Morandi.

Segundo o presidente da AES Eletropaulo, Britaldo Soares, o investimento adicional faz parte de um plano de recuperação dos indicadores da companhia sobre duração e frequência de interrupções no serviço.

A distribuidora apresentou queda de 96 por cento no lucro líquido no quarto trimestre, em parte devido a 152 milhões de reais em provisionamentos realizados nos últimos dois trimestres para eventuais pagamentos de multas e compensações aos consumidores após descoberta de "inconsistências" na apuração desses indicadores entre janeiro de 2011 e maio de 2015. nL2N1630JX]

Após a revisão dos números, o indicador que mede a frequência de blecautes da Eletropaulo ficou 21,3 por cento acima do registrado ao final de 2014; já o índice de duração das interrupções em 2015 ficou 76,8 por cento maior que o registrado no ano anterior.

Morandi disse que a companhia está revendo os critérios utilizados na apuração dos indicadores e que a provisão realizada representa a melhor estimativa possível neste momento para as perdas com as falhas.

"Se tivermos alguma variação (futura nas provisões) acho que seria pequena", afirmou, ao ser questionado por uma analista.

QUEDA DE MERCADO

A Eletropaulo fechou 2015 com contratos de compra de energia que representam cerca de 107 por cento do consumo em seu mercado, que caiu 4,7 por cento frente a 2015 em meio à recessão econômica e à elevação das tarifas.

O excesso de energia preocupa, uma vez que sobrecontratação acima de 105 por cento passa a representar risco de perdas financeiras para a distribuidora. Até esse patamar, eventual custo da sobra de energia é repassado aos consumidores.

"Desde o ano passado já havíamos iniciado conversas na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e no Ministério de Minas e Energia para falar da situação específica da sobrecontratação da Eletropaulo", disse a vice-presidente de distribuição da AES Brasil, Teresa Vernaglia.

Em 2015, a Eletropaulo chegou a registrar receita de 39,4 milhões de reais com a venda de excessos de energia, mas neste ano o preço do mercado spot está mais baixo que o custo dos contratos de compra da empresa, o que deve fazer com que a liquidação de excessos contratuais gere prejuízo.

"O problema de sobrecontratação hoje é de praticamente todas distribuidoras do Brasil. Temos 33 empresas com nível de sobrecontratação, algumas até em nível superior ao da Eletropaulo, o que faz esse um tema prioridade para a Aneel", afirmou Vernaglia, citando conversas recentes com representantes do regulador.

(Por Luciano Costa)

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