BB tem lucro líquido 15% menor no 4º tri; inadimplência sobe

Por Aluisio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - O Banco do Brasil divulgou nesta quinta-feira queda do lucro no quarto trimestre, afetado por baixo crescimento do crédito e maiores provisões para perdas com inadimplência. O banco ainda previu desaceleração do crédito em 2016.

A maior instituição financeira do país em ativos teve lucro líquido de 2,512 bilhões de reais no período, queda de 15,1 por cento sobre um ano antes. Na base ajustada, o lucro foi de 2,648 bilhões de reais no período, queda de 12,3 por cento sobre um ano antes. A previsão média de oito analistas ouvidos pela Reuters apontava para lucro ajustado de 2,509 bilhões de reais.

Um dos fatores que pesaram no resultado foi a expansão fraca da carteira de crédito ampliada, de 6,9 por cento, a 814,8 bilhões de reais. A carteira no país evoluiu apenas 5,9 por cento em 2015, abaixo da previsão do BB, de 7 a 11 por cento.

A carteira do agronegócio foi um destaque negativo, subindo 6,1 por cento, contra expansão prevista de 10 a 14 por cento. Carteiras automotiva e para micro e pequenas empresas tiveram contrações de 9,7 e 8,4 por cento respectivamente. Na outra ponta, crédito pessoal (+21,1 por cento), imobiliário para pessoas (+30,5 por cento) e de governo (+44,6 por cento) foram os líderes de crescimento.

Além disso, o índice de inadimplência, medido pelo saldo de operações vencidas com mais de 90 dias, atingiu 2,38 por cento, acima dos 2,19 por cento do trimestre anterior e dos 2,03 por cento do último trimestre de 2014.

Para 2016, o BB afirmou que espera crescimento da carteira de crédito ampliada de 3 a 6 por cento no Brasil. Para o agronegócio, a expectativa é de alta de 6 a 9 por cento.

Diante do cenário de recessão do país, que pode piorar ainda mais a qualidade da carteira de empréstimos, o BB provisionou 7,33 bilhões de reais para perdas com calotes, um salto de 40,9 por cento na comparação ano a ano. No acumulado de 2015, a provisão para essa linha também ficou acima da faixa prevista.

Com isso, a rentabilidade sobre o patrimônio líquido no trimestre caiu a 11,4 por cento, ante 14,6 por cento do último trimestre do ano anterior. No ano, o índice ficou no piso da faixa estimada de 13 a 16 por cento. A previsão para este ano foi fixada no intervalo de 11 a 14 por cento.

O BB avisou no início desta semana que seu conselho de administração aprovou distribuir aos acionistas 25 por cento do lucro de 2016, abaixo do índice de 40 por cento observado até o ano passado.

SPREAD E TARIFAS

O spread das operações de crédito atingiu 7,4 por cento, ante 7,1 por cento no trimestre anterior e 7 por cento um ano antes, mostrando maior capacidade do banco de repassar taxas maiores de juros.

As receitas com tarifas do BB somaram 7,25 bilhões de reais, alta de 8,7 por cento sobre um ano antes.

As despesas administrativas, incluindo salários, somara 9,29 bilhões de reais de outubro a dezembro, aumento de 6,9 por cento sobre igual etapa de 2014.

Nos últimos seis meses de 2015, o quadro de empregados do BB teve redução de 3.134 funcionários.

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