Engenheira da Petrobras derrota sindicatos e vence disputa pelo Conselho

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Eleita representante dos funcionários da Petrobras no Conselho de Administração da estatal para o ano de 2016, Betânia Coutinho é a primeira empregada a vencer a disputa pela importante cadeira do colegiado sem o apoio de grandes federações de petroleiros e com um discurso de independência em relação aos sindicatos.

A engenheira de petróleo Betânia venceu o segundo turno da eleição com 13.034 votos, ou 58,64 por cento dos votos válidos, informou a Petrobras nesta segunda-feira, por e-mail.

Já o técnico de segurança na Refinaria Landulpho Alves (Rlam) Deyvid Bacelar, candidato à reeleição, obteve 9.194 votos, correspondente a 41,36 por cento dos votos válidos.

Bacelar era o nome apoiado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), historicamente ligada ao PT, que representa 13 sindicatos de petroleiros.

O resultado aconteceu mesmo depois de a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), que representa outros cinco sindicatos, ter declarado apoio ao candidato à reeleição no segundo turno.

Em nota publicada em seu blog, Bacelar voltou a afirmar que Betânia foi apoiada por parte da atual gestão da companhia, que teria orientado e pressionado trabalhadores na decisão do voto.

"Quem perde com esse resultado, com certeza, é a categoria petroleira e a sociedade brasileira em meio a uma conjuntura adversa sem informações suficientes que municiem a luta", disse.

Em entrevista à Reuters, publicada na semana passada, Betânia negou que tivesse o apoio da gestão e disse que recebeu mensagens de apoio de funcionários de todas as áreas da empresa, com e sem funções gratificadas.

Além disso, disse que quer contribuir com sua experiência de empregada de carreira, sendo uma alternativa apartidária para a defesa dos interesses dos empregados.

Betânia não pôde ser contatada imediatamente nesta segunda-feira para novos comentários.

Funcionária da empresa desde 2004, Betânia trabalhou oito anos como especialista na área de reservatórios e, há três anos, trabalha na coordenação técnica de parcerias da Unidade de Operações do Rio de Janeiro (UO-Rio).

Seu suplente será Daniel Dellamora Bonolo, também engenheiro de petróleo.

Dos 56.856 eleitores da Petrobras, 22.518 exerceram o direito de voto, totalizando 39,6 por cento de participação neste segundo turno, segundo a estatal. O total de votos válidos foi de 22.228. Foram 124 votos brancos e 166 nulos.

A Petrobras informou que o regulamento eleitoral prevê que, no prazo de um dia útil, a chapa não eleita poderá interpor recurso contra o resultado provisório da eleição.

A homologação dos nomes dos representantes eleitos ocorrerá na próxima Assembleia Geral Ordinária, que reúne os acionistas da companhia e costuma acontecer em abril. A empresa tem membros dos trabalhadores eleitos para o Conselho desde 2012.

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