França amplia investigação de corrupção e inclui escolhas de Rio e Tóquio para Olimpíada

PARIS (Reuters) - Juízes franceses que investigam a corrupção no atletismo ampliaram o inquérito para apurar as condições sob as quais o Rio de Janeiro foi eleito a sede dos Jogos Olímpicos de 2016 e Tóquio foi escolhida para receber a Olimpíada de 2020, segundo a procuradoria financeira da França.

"Estamos olhando para esses elementos, mas neste estágio é uma questão de verificação. Nada foi provado", disse uma autoridade do gabinete da promotoria, confirmando uma reportagem do jornal britânico The Guardian.

Em resposta, o Comitê Rio 2016 afirmou que a cidade venceu a disputa em 2009 contra Madri, Tóquio e Chicago porque tinha o melhor projeto, e descartou qualquer possibilidade de fraude na votação realizada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) em Copenhague.

"O Rio de Janeiro ganhou o direito de sediar os Jogos porque tinha o melhor projeto. A diferença de votos no final, 66 a 32 (contra Madri), exclui qualquer possibilidade de uma eleição que pudesse estar viciada", disse à Reuters por telefone o diretor de Comunicação do Comitê Rio 2016, Mario Andrada.

"Os procuradores franceses e o jornal The Guardian não fazem qualquer referência à candidatura Rio 2016, apenas citam a cidade como referência de um processo que, segundo eles, teve um problema na fase preliminar", acrescentou.

Acusações de corrupção no mundo do atletismo surgiram no ano passado e até agora estavam concentradas principalmente em eventos realizados pela Associação Internacional das Federações de Atletismo (Iaaf, na sigla em inglês).

A investigação francesa foi aberta em dezembro em resposta a reportagens na imprensa que questionavam como a Iaaf definiu a cidade de Eugene, nos Estados Unidos, como sede de seu campeonato mundial de 2021.

O COI disse nesta terça que agirá em caso de qualquer evidência obtida pelos procuradores franceses. "Quando tivermos evidência que nos for mostrada, vamos agir em cima disso. É algo fácil de se falar, mas ninguém tem qualquer evidência", disse o porta-voz Mark Adams.

O COI teve de fazer uma limpeza interna há mais de 15 anos quando uma investigação antes dos Jogos de Inverno de Salt Lake City em 2002 provocou o maior escândalo de corrupção envolvendo membros da entidade. Dez deles renunciaram ou foram expulsos em conexão com subornos, e as regras do COI se tornaram mais rígidas.

Em janeiro, dois altos dirigentes do atletismo russo e o filho do ex-presidente da Iaaf Lamine Diack foram banidos do esporte por toda a vida por encobrirem um exame antidoping positivo de uma atleta da elite russa e a chantagearem por isso.

As punições foram impostas após um relatório no ano passadode uma comissão independente da Agência Mundial Antidoping (Wada) que denunciou a existência de uma cultura de doping no atletismo russo patrocinada pelo Estado, que resultou na suspensão internacional do país em competições da modalidade.

(Por Gerard Bon; reportagem adicional de Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro, e Karolos Grohmann, em Lausanne)

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