Cardeal católico admite "mal que foi feito" em encontro com vítimas de abuso sexual

Por Philip Pullella e Jane Wardell

ROMA/SYDNEY (Reuters) - O cardeal George Pell, que está sob fogo cerrado pela maneira como lidou com o abuso sexual de crianças cometido por padres da Igreja Católica na Austrália, reconheceu nesta quinta-feira "o mal que foi feito" e prometeu trabalhar com os sobreviventes para adotar medidas de proteção melhores.

Pell, que testemunhou à Real Comissão da Austrália sobre a Resposta Institucional ao Abuso Sexual Infantil por videoconferência durante quatro dias, fez os comentários depois de um encontro de quase duas horas em um hotel de Roma com cerca de uma dezena de vítimas australianas que voaram até a capital italiana para as audiências.

Pell, atualmente ministro das Finanças do Vaticano, e os sobreviventes se reuniram quase quatro vezes mais do que o agendado. Tanto o cardeal quanto o porta-voz das vítimas disseram que os encontros foram altamente emotivos.

David Ridsdale, um sobrevivente que alega que em 1993 Pell tentou suborná-lo para que ele fizesse silêncio sobre o abuso sexual sofrido por Ridsdale nas mãos de seu tio, um padre atualmente na prisão, disse que os sobreviventes ficaram satisfeitos porque o encontro aconteceu "em pé de igualdade".

Pell, que negou a acusação de suborno, afirmou aos repórteres que a bondade do povo de Ballarat, onde grande parte dos abusos ocorreu nos anos 1970, quando Pell era padre na localidade, "não foi extinta pelo mal que foi feito".

"Um suicídio já é demais, demais...", disse o religioso. As audiências contaram com a presença de Anthony e Chrissie Foster, cujas duas filhas foram estupradas pelo mesmo padre – uma delas se matou.

Durante as audiências, a incapacidade de Pell de se lembrar de detalhes de muitos casos individuais revoltou tanto as vítimas de abuso sexual que foram a Roma quanto aquelas que assistiram da Austrália.

Na última audiência, que terminou às 4h da manhã em Roma, Peel disse que deveria ter feito mais para deter o abuso sexual de crianças na Igreja Católica. Ele disse à comissão que a Igreja cometeu "erros enormes" e que fez escolhas "catastróficas" ao se recusar a acreditar nas crianças violentadas, transferindo padres abusadores de uma paróquia a outra e confiando demais que o aconselhamento dos padres resolveria o problema.

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