Setor produtivo do Brasil repudia relatório "Café Amargo" de ONG dinamarquesa

SÃO PAULO (Reuters) - Associações do setor produtivo do Brasil repudiaram nesta sexta-feira um relatório publicado pela ONG dinamarquesa Danwatch, que apontou nesta semana que a cafeicultura brasileira teria problemas trabalhistas, incluindo condições análogas à escravidão.

O Conselho Nacional do Café (CNC) e a Comissão Nacional do Café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que representam os agricultores no maior produtor e exportador global de café, disseram que o conteúdo do relatório, intitulado "Café Amargo", é de "cunho sensacionalista e coloca uma imagem distorcida que denigre a cafeicultura brasileira perante o mundo".

"Afirmamos, com segurança, que o referido relatório não é um retrato da cafeicultura brasileira... Não temos nada a esconder, mas, sim, muito do que nos orgulhar, já que o setor café do Brasil é um corpo dinâmico, em constante aperfeiçoamento, que não mede esforços para alcançar padrões cada vez mais elevados de qualidade e sustentabilidade", disseram as instituições.

O relatório foi divulgado dias após o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assinar uma lei que bane importações de certas mercadorias produzidas com trabalho escravo.

Os Estados Unidos são os principais importadores de café do Brasil.

Mas o CNC e a CNA afirmaram que, em termos da produção "certificada/verificada", o Brasil oferta mais de 20 milhões de sacas de cafés sustentáveis anualmente.

E disseram ainda o Brasil tem os "padrões" mais elevados da cafeicultura mundial, "como a própria ONG Danwatch foi obrigada a admitir em seu relatório."

Segundo as associações brasileiras, "o relatório possui forte viés ideológico e demonstra grande ignorância sobre a realidade produtiva do Brasil".

As instituições CNC e a CNA disseram ainda "desconfiar" do interesse comercial do relatório, "uma vez que o Brasil atrai muita atenção" por ser o principal produtor global, com uma colheita estimada em cerca de 50 milhões de sacas em 2016, exportando aproximadamente 37 milhões de sacas, sendo "o primeiro do ranking na produção de cafés sustentáveis".

Além de denunciar problemas de trabalho forçado, a organização dinamarquesa, que disse ter acompanhado fiscalizações em lavouras brasileiras, apontou que um dos maiores problemas no setor é o uso de pesticidas que põem em risco os trabalhadores.

Segundo a Danwatch, muitos trabalhadores aplicam defensivos sem usar equipamentos de proteção exigidos pela lei.

A organização ressaltou ainda que trabalho infantil continua sendo um problema no Brasil, e afirmou que observou em uma inspeção, em julho de 2015, dois garotos de 14 e 15 anos colhendo café.

Leia o relatório da Danwatch em: https://www.danwatch.dk/en/undersogelse/bitter-coffee-2/

(Por Roberto Samora)

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