IPCA desacelera alta em fevereiro a 0,90% com alívio nos alimentos e transportes

  • Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A alta dos preços de alimentação, transportes e habitação mostrou algum alívio em fevereiro e a inflação oficial brasileira desacelerou para o nível mais baixo em quatro meses, em um reflexo da recessão que pode ajudar o Banco Central na tarefa de domar o avanço dos preços.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,90 por cento em fevereiro, após avançar 1,27 por cento no mês anterior, informou nesta quarta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 12 meses, a alta acumulada do índice até fevereiro foi a 10,36 por cento, desacelerando sobre os 10,71 por cento de janeiro.

Em ambos os casos, os resultados são os mais baixos desde outubro do ano passado, quando o IPCA avançou 0,82 por cento na base mensal e 9,93 por cento em 12 meses, última vez em que ficou abaixo dos dois dígitos.

Assim, os números começam a dar algum fôlego às expectativas de que os preços começariam a ceder depois de a economia brasileira ter registrado o pior desempenho em 25 anos no ano passado.

"A queda da atividade econômica, com o aumento da taxa de desemprego, tem esse efeito sobre a inflação, e já observamos essa dinâmica", destacou o economista da Austin Rating Wellington Ramos.

Os resultados ficaram abaixo das expectativas em pesquisa da Reuters de avanço de 1,0 por cento na comparação mensal e de 10,47 por cento em 12 meses.

ALIMENTOS

O maior destaque em fevereiro ficou para Educação, com alta de 5,90 por cento como reflexo dos reajustes de início de ano, após avançar 0,31 por cento em janeiro. Já Alimentação e Bebidas desacelerou o avanço em fevereiro a 1,06 por cento, de 2,28 por cento.

"Itens importantes como refeição fora de casa, carne e café moído estão apresentando decréscimo. O que vemos é...uma limitação do consumo por conta da conjuntura econômica", destacou a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos.

Apesar do alívio nos preços dos alimentos, que tem importante peso sobre a renda das famílias, esse grupo mais Educação responderam por 60 por cento do IPCA do mês, ou 0,54 ponto percentual.

Também apresentaram desaceleração importante Transportes, para uma alta de 0,62 por cento sobre 1,77 por cento em janeiro, e Habitação, cujos preços passaram a cair 0,15 por cento depois de subirem 0,81 por cento no primeiro mês do ano.

Ajudou nesse resultado de Habitação o recuo de 2,16 por cento nas contas de energia elétrica diante da redução no valor da bandeira tarifária vermelha.

"A energia vai começar a ajudar a inflação uma vez que em março a bandeira passou para amarela e em abril a bandeira tarifária será verde", completou Eulina.

Apesar da forte recessão que o país enfrenta, a inflação deve terminar 2016 bem acima do teto da meta --de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou menos-- pela segunda vez. A expectativa em pesquisa Focus do BC é de alta do IPCA de 7,59 por cento no final do ano.

Mesmo com a fraqueza da economia, diante da inflação elevada, o BC manteve a Selic em 14,25 por cento ao ano pela quinta vez seguida, deixando claro que não deve cortar a taxa básica de juros tão cedo.

A expectativa agora gira em torno da divulgação da ata dessa reunião, na quinta-feira. Mas o resultado do IPCA levou as taxas dos contratos de juros futuros a recuarem com força nesta sessão, já que a desaceleração da inflação alimenta expectativas de corte na taxa básica de juros para estimular a economia.

"Vemos o BC terminando este ano com redução da Selic pelo fato de a recessão segurar a inflação", disse Ramos, da Austin Rating, calculando a Selic em 11,50 por cento ao final de 2016. Já a pesquisa Focus aponta para Selic a 14,25 por cento no final do ano.

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