Peru barra candidatura presidencial de principal rival de filha de Fujimori

LIMA (Reuters) - O tribunal eleitoral do Peru vetou nesta quarta-feira a participação do principal adversário da candidata Keiko Fujimori na eleição presidencial devido a um detalhe técnico, removendo o principal obstáculo para a favorita nas pesquisas conquistar o cargo outrora ocupado por seu pai, hoje na prisão.

A decisão, por 3 votos a 2, de tirar Julio Guzmán da corrida criou dúvidas a respeito da lisura da votação deste ano, e ameaça pôr em questão a legitimidade de Keiko caso ela vença.

    Guzmán, um tecnocrata centrista que até poucos meses atrás era pouco conhecido, é o único candidato de um grande número de postulantes que foi visto quase empatando com Keiko em um possível segundo turno no dia 5 de junho, de acordo com sondagens recentes.

    O Júri Nacional de Eleições determinou que Guzmán não pode participar das eleições de abril porque seu partido não cumpriu procedimentos eleitorais quando registrou sua candidatura presidencial.

    "Nenhuma democracia moderna exclui candidatos a presidente revelantes, ou qualquer candidato a presidente, por violarem regras irrelevantes", disse o cientista político Steve Levitsky, da Universidade Harvard. "É um precedente horrível que se estabelece."

Guzmán insinuou que Keiko, filha do autoritário ex-presidente Alberto Fujimori, e outros rivais estão agindo para impedir sua candidatura – alegações que estes negam com veemência. Guzmán já havia dito que irá levar a questão aos tribunais e convocar manifestações de rua.

    A decisão sobre a inscrição de Guzmán circulou por vários organismos eleitorais durante um mês, exasperando muitos peruanos e despertando suspeitas de irregularidades.

    No dia 26 de fevereiro, o chefe do tribunal eleitoral, que votou a favor da admissão de Guzmán, disse que estava recebendo ameaças de morte.

Mesmo assim, não se espera que Keiko vença ainda no primeiro turno, e os eleitores podem puni-la na segunda rodada de votação se sentirem que o sistema político tradicional tirou Guzmán e Cesar Acuna, outro candidato barrado, da corrida injustamente.

    (Por Mitra Taj)

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