Odebrecht entrega direção de projeto de gasoduto no Peru por causa de Lava Jato

LIMA (Reuters) - A Odebrecht entregou a direção do projeto de um gasoduto de gás natural de 5 bilhões de dólares no Peru a sócios para proteger o projeto de qualquer impacto das investigações da Lava Jato, disse a companhia nesta sexta-feira. 

O diretor-geral Rodney de Carvalho e o gerente financeiro Marko Harasic serão substituídos por funcionários da empresa espanhola Enagas e da construtora peruana Grana y Montero, disse o consórcio do gasoduto.

A Odebrecht está sob investigação na operação Lava Jato da Polícia Federal. Marcelo Odebrecht, que dirigia a empresa familiar desde 2008 até os últimos meses, foi condenado esta semana a 19 anos de prisão em conexão com o escândalo de corrupção.

A decisão unânime dos acionistas no projeto pretende "tomar distância de eventos atuais ligados à Lava Jato no Brasil, e para evitar que o impacto desse processo, que é completamente alheio à concessionária, afete a sua performance de alguma maneira", disse o consórcio, em comunicado.

As participações detidas por cada empresa no projeto mantêm-se inalteradas, com a Odebrecht controlando 55 por cento, a Enagas 25 por cento e a Grana y Montero com 20 por cento.

O consórcio ganhou o contrato lucrativo em 2014 após seu único concorrente ser desclassificado na última hora.

A Odebrecht e agência estatal de licitação ProInversión negaram as acusações do consórcio desclassificado de que a licitação foi fraudado.

A procuradoria-geral do Peru tem investigado por mais de um ano potenciais delitos na licitação do gasoduto, mas até agora não apresentou qualquer denúncia.

No Brasil, a Odebrecht busca vender participação majoritária na Braskem para aliviar o peso da dívida que aumentou na medida em que a Lava Jato reduziu seu acesso a financiamentos.

A Braskem tinha planejado construir uma unidade de polietileno no Peru, que seria ligada ao oleoduto de 1.000 quilômetros, para transportar gás da Amazônia para a costa do Pacífico.

O gasoduto é um projeto emblemático para o presidente peruano Ollanta Humala, na esperança de que o gasoduto pudesse alimentar um futuro complexo petroquímico e a crescente demanda por eletricidade.

A polícia brasileira disse no mês passado que está investigando possível suborno de 3 milhões de dólares da Odebrecht para Humala. Humala e Odebrecht negaram qualquer irregularidade.     

(Por Marco Aquino e Mitra Taj)

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