Obama pede fim de tom "cruel" e de violência na campanha presidencial dos EUA

Por Timothy Gardner

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta terça-feira que estava chocado com a violência e a divisão na campanha presidencial norte-americana e, numa referência ao favorito entre os republicanos, Donald Trump, pediu aos líderes para eliminar o tom racial.

"Nós temos ouvido retórica vulgar e desagregadora direcionada a mulheres e minorias, a norte-americanos que não parecem conosco ou não rezam como nós ou não votam como votamos”, afirmou Obama num evento no Congresso.

"Temos visto tentativas equivocadas de calar esse discurso. Por mais ofensivo que ele seja, nós vivemos num país onde a liberdade de expressão é um dos direitos mais importantes que temos. Em resposta a essas tentativas temos visto violência de fato. E temos ouvido o silêncio de muitos dos nossos líderes.”

Os comentários de Obama ocorrem no momento em que cinco Estados, Flórida, Ohio, Illinois, Missouri e Carolina do Norte, participam da mais recente rodada de primárias para escolher os candidatos a presidente dos partidos Democrata e Republicano para as eleições de novembro.

Trump tem sido alvo de críticas gerais, incluindo da liderança republicana, por fazer uma campanha que já chamou imigrantes mexicanos de estupradores e propôs uma proibição temporária para a entrada de muçulmanos nos Estados Unidos.

Nos últimos dias, houve confrontos durante os seus comícios entre os seus simpatizantes e manifestantes. Trump, um magnata de Nova York do setor imobiliário, tem rebatido as acusações de que ele alimenta um clima violento.

Obama declarou que a campanha neste ano não é um reflexo preciso dos EUA. “Isso tem que parar”, afirmou o presidente, descrevendo o clima da campanha como “cruel” e acrescentado que o comportamento “pode minar a nossa democracia, sociedade e até mesmo a nossa economia”.

Mitch McConnell, o líder da maioria republicana no Senado, disse à imprensa que Trump havia telefonado para ele nesta terça-feira.

“Eu aproveitei a oportunidade para lhe recomendar que, não importa quem possa estar iniciando essas expressões violentas ou conflitos que nós temos visto em alguns desses comícios, poderia ser uma boa ideia condená-los e desencorajá-los”, afirmou McConnell. Ele não quis dizer qual havia sido a resposta de Trump.

O senadores Ted Cruz, do Texas, e Marco Rubio, da Flórida, e o governador de Ohio, John Kasich, disputam com Trump a nomeação republicana.

“Eu suspeito que todos nós podemos nos lembrar de palavras destemperadas das quais nos arrependemos. Certamente, eu posso”, afirmou Obama. “E enquanto alguns podem ser mais culpados do que outros pelo clima atual, todos nós somos responsáveis por revertê-lo.”

(Reportagem de Timothy Gardner, Jeff Mason e David Morgan)

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