Dólar cai e volta abaixo de R$3,75 com Fed, em dia de forte volatilidade com política

  • Por Bruno Federowski

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda e abaixo de 3,75 reais nesta quarta-feira após o Federal Reserve, banco central norte-americano, projetar menos altas de juros, o que favoreceria mercados emergentes que oferecem rendimentos elevados.

A notícia veio em um dia marcado por forte volatilidade, após o anúncio de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumirá a Casa Civil e diante de notícias de que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, pode deixar o cargo. Pela manhã, o dólar chegou a subir mais de 2 por cento.

O dólar recuou 0,64 por cento, a 3,7391 reais na venda, após atingir 3,8542 reais na máxima. A moeda norte-americana acumulou alta de 4,79 por cento só nas duas sessões anteriores, sendo que havia despencado 10,30 por cento neste mês até o fim da semana passada.

"Hoje o que não faltou foi notícia", resumiu o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado.

O Fed passou a ver duas altas de juros de 0,25 ponto percentual neste ano, contra quatro nas previsões divulgadas em dezembro. Além disso, reduziu suas projeções para as taxas apropriadas ao fim deste ano e dos próximos.

Os juros futuros nos EUA passaram a mostrar chances menores de aumentos de juros nos próximos meses, com probabilidade de 46 por cento de elevação em junho e 74 por cento em dezembro, contra 50 e 82 por cento, respectivamente.

Ao demorar a elevar os juros, o Fed não aumenta a atratividade de ativos financeiros norte-americanos e evita saída de dólares de outros mercados tidos como menos seguros, como o Brasil.

SALTO

As notícias tiraram ainda mais força da alta do dólar frente ao real na primeira metade da sessão, quando a moeda norte-americana reagiu a temores de mudanças fortes na política econômica com a chegada de Lula à Esplanada dos Ministérios.

"Isso (mudança na política econômica) é muito ruim para o Brasil. Seria uma volta à nova matriz econômica", disse o economista da 4Cast Pedro Tuesta.

Essas expectativas ganharam força nas últimas sessões conforme cresceram as especulações de que Lula iria assumir uma pasta, algo que investidores também acreditam que diminuiria as chances do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O Palácio do Planalto já confirmou que Lula será ministro da Casa Civil no lugar de Jacques Wagner. O dólar acelerou a alta com a confirmação e atingiu as máximas do dia, para em seguida perder fôlego com realização de lucros.

A apreensão nesta sessão também veio com a notícia de que Tombini pode deixar a presidência do BC. Segundo disse uma fonte à Reuters, isso aconteceria se o governo fizer forte mudança na política econômica, como está sendo sinalizado com a chegada Lula.

Questionada sobre o tema, Dilma afirmou que Tombini e o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, estão "mais dentro do que nunca" no governo.

Mais cedo, o jornal Valor Econômico publicou em seu site que Tombini estaria dando sinais de que pedirá para deixar o cargo.

Com isso, discutia-se nas mesas de operação quem poderia substituir Tombini e o nome do ex-presidente do BC Henrique Meirelles, que o mercado vê como alguém mais ortodoxo, voltou a ser bastante comentado.

"O mercado está muito volátil e guiado pelo noticiário. Não descartamos mudanças súbitas de direção (do câmbio) no caso de novos acontecimentos --algo que não é difícil de encontrar no Brasil hoje em dia", escreveram estrategistas do banco BNP Paribas em nota a clientes.

Nesta manhã, o BC realizou mais um leilão de rolagem dos swaps que vencem em abril com venda integral dos 9,6 mil contratos. Até o momento, o BC já rolou 5,535 bilhões de dólares, ou cerca de 55 por cento do lote total para abril, que equivale a 10,092 bilhões de dólares.

(Edição de Camila Moreira e Patrícia Duarte)

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