"Ação decisiva" do BC levaria a ancoragem mais rápida das expectativas, diz Volpon

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Tony Volpon, acredita que uma "ação decisiva" da política monetária, combinada com o cenário externo mais favorável, levaria a uma retomada mais rápida de ancoragem das expectativas de inflação.

Volpon, que tem sido voto dissidente nas últimas reuniões do Comitê de Política Monetária, disse nesta quinta-feira que, ao contrário do consenso de grande parte dos analistas, vê a reversão da tendência de alta do dólar no mercado internacional como um "incentivo para agir".

"Um cenário externo favorável e uma ação decisiva por parte da política monetária levaria, acredito eu, a uma retomada mais rápida do processo de ancoragem das expectativas", afirmou em reunião com analistas organizada pela corretora Icap no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira, de acordo com discurso divulgado pelo BC.

Volpon, que também acumula o cargo de diretor de Gestão de Riscos Corporativos, votou a favor de um aumento de 0,5 ponto percentual da Selic nas últimas três reuniões do Copom do BC, indo na direção contrária da maioria dos membros do colegiado, juntamente com o diretor Sidnei Marques, de Organização do Sistema Financeiro.

"Meu voto dissidente tem sido motivado pela vontade de sinalizar compromisso com a meta de inflação, em um contexto no qual a inflação corrente tem estado acima da esperada ao longo dos últimos meses, e que tanto as expectativas dos agentes, como as projeções do Banco Central, têm se distanciado da meta, apontando para uma deterioração da probabilidade de convergência da inflação à meta no horizonte da política monetária", disse.

A taxa básica de juros segue em 14,25 por cento ao ano desde julho de 2015, em meio a uma inflação persistentemente alta e da mais profunda recessão em décadas.

Volpon disse ainda que a despeito da menor intensidade na variação dos preços administrados e da taxa de câmbio esperada para este ano, "não é nada desprezível o risco de a taxa de inflação cair, mas se estabilizar em um nível 'estacionário' ainda bem acima da meta".

O BC vem repetindo o compromisso em circunscrever a inflação ao limite da banda em 2016, fazendo-a convergir para o centro da meta de 4,5 por cento em 2017. Neste ano, a meta para o IPCA tem margem de 2 pontos para mais ou para menos, caindo a 1,5 ponto no ano que vem.

Mas o mercado segue vendo o avanço de preços domésticos distante desses patamares. Segundo o mais recente levantamento Focus conduzido pelo BC com mais de uma centena de economistas, a projeção é de uma inflação medida pelo IPCA de 7,46 por cento em 2016 e de 6,0 por cento em 2017.

"Tenho a crença que, se de fato o quadro indicasse uma queda mais acentuada da inflação e das expectativas – inclusive por novos fatores externos que sinalizam um quadro global desinflacionário – isso poderia ser rapidamente refletido no início precoce de um ciclo de distensão monetária", disse Volpon.

"Isso significa que devemos responder de forma mais tempestiva e contundente aos riscos de alta da inflação do que aos riscos de queda."

(Reportagem adicional de Bruno Federowski)

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos