CPFL vê cenário melhor para distribuição de energia com bandeira tarifária verde

SÃO PAULO (Reuters) - A CPFL, que controla oito distribuidoras de energia, prevê que a entrada em vigor da bandeira tarifária verde a partir de abril, que acabará com a cobrança extra nas contas de luz, vai melhorar o cenário para o setor de distribuição, ao reduzir riscos de inadimplência e custos das empresas, além de incentivar uma retomada no consumo.

O país teve bandeira tarifária vermelha de janeiro de 2015 --quando o mecanismo passou a ser adotado-- até março deste ano, quando entrou em vigor a bandeira amarela. Em abril, está prevista a entrada da bandeira verde.

"A expectativa é que (a inadimplência) diminua com a bandeira tarifária verde", afirmou o presidente da CPFL, Wilson Ferreira Jr., em teleconferência com investidores nesta segunda-feira.

Ele disse que 2015 representou o pior momento para o setor de distribuição, mas destacou que a expectativa para este ano é melhor, e pode haver até elevação da demanda em algumas concessionárias do grupo, mesmo com a crise econômica, principalmente como efeito da redução do custo.

A redução de custos sinalizada pela bandeira verde impactará as próprias distribuidoras, que vinham se queixando de enfrentar despesas maiores que as reconhecidas nas tarifas ao longo de 2015.

Com essa redução e os reajustes já programados para as tarifas de suas distribuidoras neste ano, a CPFL espera deixar de ter esse descompasso tarifário a partir de setembro.

"Tínhamos enfrentado 2015 com um caixa bastante sacrificado... mas a gente apresenta uma perspectiva bastante positiva em relação aos próximos meses... temos expectativa de até setembro ter esses recursos... eliminando esse que foi um grande problema financeiro da maior parte das distribuidoras", afirmou Ferreira.

O executivo disse que as reduções de tarifas e custos são resultado da melhoria do cenário hidrológico, que afastou riscos de falta de energia observados nos últimos anos.

A CPFL projeta que os reservatórios das hidrelétricas do Brasil deverão encerrar abril em cerca de 61 por cento da capacidade.

"Dá uma perspectiva bastante confortável para o suprimento em 2016... realmente vira a página desses problemas (hídricos) que tivemos nos últimos três anos".

EXPANSÃO

Durante a teleconferência, Ferreira foi questionado diversas vezes sobre o apetite da CPFL para aquisições, principalmente no segmento de distribuição de energia.

O executivo afirmou que a companhia observa o cenário, mas com cautela, para manter a disciplina financeira.

Ele elencou como possíveis oportunidades a eventual privatização da distribuidora gaúcha CEEE-D, controlada pelo governo do Estado, e uma possível venda da AES Sul pela norte-americana AES.

"Por óbvio, iremos avaliar se elas ocorrerem. Entendo que são ativos que farão muito sentido no processo de crescimento da companhia, desde que respeitada a disciplina financeira", afirmou, em resposta a um analista.

Ele também disse que a CPFL está atenta a eventuais oportunidades de novos projetos no segmento de transmissão, que teve a taxa de retorno dos próximos leilões elevada pela Aneel, em atendimento ao Tribunal de Contas da União (TCU), após diversos lotes licitados no ano passado não terem atraído interessados.

"As perspectivas para transmissão melhoraram muito... o patamar está muito bom... estamos, sim, atentos a isso."

CAPTAÇÕES INCENTIVADAS

O presidente da CPFL também revelou que a empresa tem participado de conversas com o Ministério de Minas e Energia e a Aneel para que distribuidoras de energia sejam autorizadas a captar recursos com a emissão de debêntures incentivadas de infraestrutura --isentas de Imposto de Renda para investidores pessoa física e estrangeiros.

Essas emissões atualmente são aprovadas apenas para projetos de geração e transmissão definidos como estratégicos pelo governo federal.

"O ministério entende o desafio que temos hoje para financiar investimentos de longuíssimo prazo em uma concessão de 30 anos... isso sensibilizou o governo... a gente está otimista que vai ter essa fonte de financiamento para o setor de distribuição", disse Ferreira.

(Por Luciano Costa)

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