Planalto avalia ainda ter votos para segurar impeachment no plenário da Câmara, dizem fontes

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O Palácio do Planalto avalia que ainda tem votos suficientes para segurar no plenário da Câmara dos Deputados a aprovação da abertura de um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, apesar desse número ter diminuído nas últimas semanas, disseram à Reuters duas fontes palacianas.

A avaliação foi feita na reunião de coordenação política, na manhã desta segunda-feira, em que a presidente reuniu, além dos tradicionais ministros da palacianos, representantes da base aliada como Eduardo Braga (Minas e Energia) e Marcelo Castro (Saúde), ambos do PMDB, André Figueiredo, das Comunicações (PDT), Gilberto Kassab, das Cidades (PSD), Antônio Carlos Rodrigues, dos Transportes (PR) – além dos líderes do governo no Congresso.

O diagnóstico é que o governo pode perder na comissão especial, e a presidente pediu aos ministros que pressionem seus líderes para tentar reverter votos.

Ainda assim, mesmo que perca na comissão, o Planalto avalia que mantém os 172 votos para segurar o processo em plenário. “Os números ainda flutuam, mas o governo ainda acredita que dá para barrar o impeachment nessa primeira fase”, disse à Reuters uma das fontes consultadas.

Outro consenso da reunião é que o trabalho de articulação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa começar logo, independentemente das decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) relativas à sua nomeação para a Casa Civil, que o governo não tem como controlar.

Lula chega a Brasília no início da noite desta segunda-feira para conversar com a presidente, disse uma das fontes, e traçar a estratégia de recomposição da base.

O ex-presidente deve atuar como “ministro informal” até a decisão do STF. Oficialmente, a secretária-executiva da Casa Civil, Eva Schiavon, fica como ministra substituta.

Na reunião desta segunda, os ministros da base aliada informaram à presidente que têm sido cobrados por parlamentares por ainda permanecerem no governo e pediram medidas do governo, especialmente na área econômica, contou a fonte à Reuters.

O Planalto já estuda ações de incentivo, especialmente na área de construção civil e em obras governamentais, como disse o ex-ministro da Casa Civil Jaques Wagner –hoje ministro da Chefia de Gabinete da Presidente– em entrevista na semana passada.

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