Agência de refugiados da ONU diz que não irá trabalhar em "centros de detenção" da Grécia

Por Karolina Tagaris

LESBOS, Grécia (Reuters) - O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) disse na segunda-feira que não irá operar nos "centros de detenção" da ilha grega de Lesbos para imigrantes e refugiados que chegam da Turquia, um golpe no acordo firmado entre a União Europeia e Ancara na semana passada.

O Acnur afirmou que imigrantes e refugiados estão sendo detidos contra a vontade nos centros de recepção de Lesbos, e que não irá mais transferi-los para estas instalações. O acordo UE-Turquia cruzou uma linha vermelha em sua política, disse o Acnur.

O pacto, em vigor desde domingo passado, objetiva acelerar o processamento de recém-chegados à Grécia em busca de asilo.

Até domingo, os recém-chegados a Lesbos tinham liberdade de deixar o campo de imigrantes de Moria e pegar balsas para a Grécia continental, de onde a maioria segue para o norte através dos Bálcãs na tentativa de alcançar o oeste europeu, em particular a Alemanha.

Agora eles devem ser mantidos em Moria ou em um dos quatro centros criados nas ilhas de Samos, Quios, Leros e Cós, no Mar Egeu, enquanto esperam a análise de seus pedidos de asilo.

"O Acnur se opõe à detenção obrigatória de todos os recém-chegados, já que alternativas à detenção nestas ilhas estão ou deveriam estar disponíveis", disse o porta-voz da agência na ilha à Reuters em um comunicado.

"Baseados em princípios, tomamos a decisão de nos desligar do transporte de e para Moria, já que desde domingo a liberdade de ir e vir não está garantida", afirmou.

O Acnur irá continuar a providenciar assistência a refugiados e imigrantes na praia e no porto de Lesbos, e irá se concentrar no "monitoramento e aconselhamento" em Moria, disse.

A agência teme que o entendimento entre UE e Ancara tenha sido "implementado prematuramente", disse, e que no momento a Grécia não tenha em suas ilhas os sistemas necessários para cuidar dos pedidos de asilo nem as condições adequadas para acomodar aqueles que esperam uma decisão.

(Reportagem adicional de Jan Lopatka em Praga e Stephanie Nebehay em Genebra)

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