Obama rejeita vigilância especial para muçulmanos como parte da luta contra Estado Islâmico

Por Jeff Mason

BUENOS AIRES (Reuters) - O presidente norte-americano, Barack Obama, disse nesta quarta-feira que os Estados Unidos podem e irão derrotar o Estado Islâmico e rejeitou a ideia apresentada por alguns candidatos presidenciais republicanos de que muçulmanos nos EUA devem ser vigiados de forma especial.

Nos seus comentários mais extensos sobre os ataques de terça-feira em Bruxelas, no qual homens-bomba do Estado Islâmico mataram pelo menos 31 pessoas e deixaram 260 feridos, Obama disse que os EUA estavam oferecendo toda assistência para ajudar a Bélgica a levar os responsáveis à Justiça.

“Nós vamos continuar a ir atrás do Estado Islâmico de forma agressiva até ele ser removido da Síria e removido do Iraque e estiver finalmente destruído", acrescentou Obama. Ele falava numa entrevista à imprensa junto com o presidente da Argentina, Mauricio Macri, durante visita a Buenos Aires.

Prevenir ataques pelos militantes islâmicos é, no entanto, difícil, porque “é complicado encontrar, identificar grupos muito pequenos de pessoas que estão dispostas a morrer e podem se juntar a uma multidão e detonar uma bomba”, declarou ele.

Reagindo aos ataques de Bruxelas, o favorito para se tornar o candidato republicano a presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que traria de volta a tortura e “faria muito mais do que afogamento simulado”. O também pré-candidato republicano Ted Cruz defendeu o aumento da fiscalização policial em áreas com grandes comunidades muçulmanas, e Trump disse que isso era uma boa ideia.

Obama afirmou que uma razão pela qual não tem havido mais ataques nos EUA é que a comunidade muçulmana norte-americana é exitosa, patriótica e integrada.

"Eles não se sentem num gueto”, disse Obama. “Então, qualquer abordagem que os dê um tratamento diferenciado ou os discrimine não é somente errada e antiamericana, mas também não iria ser produtivo pois reduziria a força, os anticorpos que temos para resistir ao terrorismo.”

Obama, que visitou Cuba antes de ir à Argentina, notou que o pai de Cruz havia imigrado para os EUA vindo de Cuba, “um país que se engaja nesse tipo de vigilância por vizinhanças”.

"A noção de que nós começaríamos agora a descer por essa via incerta não faz absolutamente sentido”, disse Obama.

Obama também rejeitou a reivindicação de Cruz, senador pelo Texas, para que os EUA bombardeassem de maneira uniforme e completa as regiões controladas pelo Estado Islâmico na Síria ou no Iraque, dizendo que isso seria inumano e proporcionaria ao Estado Islâmico um instrumento eficaz para recrutar mais homens-bomba.

(Reportagem de Jeff Mason)

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