Anistia Internacional diz que Turquia envia sírios ilegalmente de volta a zona de guerra

Por Dasha Afanasieva e Tulay Karadeniz

ANCARA (Reuters) - A Turquia enviou milhares de sírios de volta à sua terra-natal, mergulhada em uma guerra, de forma ilegal nos últimos meses, enfatizando os perigos para os imigrantes enviados de volta da Europa sob um acordo que deve entrar em vigor na semana que vem, afirmou a Anistia Internacional nesta sexta-feira.

A Turquia acertou com a União Europeia este mês que irá receber de volta todos os imigrantes e refugiados que cruzarem ilegalmente para a Grécia em troca de auxílio financeiro, da liberação mais rápida de viagens sem visto para os turcos e de uma ligeira aceleração nas conversas sobre a filiação de Ancara à UE.

Mas a legalidade do pacto depende de a Turquia ser um país seguro como asilo, o que grupos de direitos humanos têm dito não ser o caso. A Anistia disse que é provável que vários milhares de refugiados tenham sido enviados de volta à Síria nas últimas sete a nove semanas, desprezando a lei turca, da UE e internacional.

O Ministério das Relações Exteriores da Turquia negou que sírios estejam sendo devolvidos contra a vontade. Já o porta-voz da Comissão Europeia disse que leva as acusações a sério e que irá abordá-las com Ancara.

Separadamente, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) afirmou que pediu para ter acesso aos sírios que foram devolvidos da Grécia para a Turquia "para ter certeza de que as pessoas possam se beneficiar de uma proteção internacional eficaz e para evitar o risco de devolução", referindo-se às deportações ilegais de refugiados que correm risco de perseguição.

Ancara afirmou ter mantido uma política de portas abertas para imigrantes sírios durante cinco anos e respeitado rigidamente o princípio "antidevolução".

"Nenhum dos sírios que exigiram proteção de nosso país está sendo mandado de volta para seu país à força", disse um funcionário da chancelaria à Reuters.

Mas a Anistia disse que testemunhos que recolheu em províncias da fronteira sul turca levam a crer que as autoridades vinham reunindo e expulsando grupos de cerca de 100 homens, mulheres e crianças sírias quase diariamente desde meados de janeiro passado.

"No desespero de fechar suas fronteiras, líderes da UE ignoraram deliberadamente o mais simples dos fatos: a Turquia não é um país seguro para refugiados sírios e está se tornando menos segura a cada dia", disse John Dalhuisen, diretor da Anistia Internacional para Europa e Ásia Central.

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