Dólar sobe e vai acima de R$3,60 por cenário político, BC e exterior

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar avançava acima de 3,60 reais nesta sexta-feira, em uma sessão marcada por alguma volatilidade, influenciado pelo noticiário político misto no Brasil, pela atuação do Banco Central e pelo cenário externo desfavorável.

Às 10:42, o dólar avançava 0,61 por cento, a 3,6182 reais na venda, após marcar em março a maior queda mensal em treze anos. A moeda norte-americana atingiu 3,6211 reais na máxima do dia e recuou a 3,5787 reais na mínima.

"Não dá para saber direito qual o saldo das notícias, se é positivo ou negativo. O mercado fica um pouco ao léu", disse o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira.

Os mercados financeiros vêm reagindo positivamente a notícias que possam aumentar as chances de impeachment da presidente Dilma Rousseff e vice-versa.

Muitos operadores acreditam que eventual troca no governo poderia ajudar a colocar a economia nos eixos, mas alguns ponderam que a instabilidade política tende a afetar a confiança dos agentes econômicos.

Nesta manhã, a operação Lava Jato iniciou nova fase investigando empréstimo fraudulento de 12 milhões de reais contraído junto ao Banco Schahin supostamente direcionado ao PT.

A investigação vem um dia após dezenas de milhares protestarem em diversas cidades do país contra o impeachment de Dilma, que classificam como golpe para derrubar o governo.

Outro foco de atenção é a atuação do BC, que sinalizou na noite passada que deve rolar apenas cerca de metade do lote de swaps tradicionais, equivalentes a venda futura de dólares, que vencem em maio, menos do que os 67 por cento repostos no mês anterior.

No entanto, a autoridade monetária não anunciou leilão de swap reverso, equivalente a compra futura de dólares, para esta sessão, atuação classificada como "cautelosa" por um operador de um banco que lida diretamente com o BC.

"Ele está agindo de pouco em pouco. Deixa claro que está de olho em quedas excessivas (do dólar), mas não vai mostrar todas as armas de uma vez", afirmou.

Segundo ele, isso contribuía para fazer o dólar avançar menos frente ao real do que contra outras moedas da América Latina, como o peso e mexicano.

A moeda norte-americana era sustentada por expectativas de que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, eleve os juros mais cedo neste ano após os salários e os empregos no país crescerem em março. Os juros futuros nos EUA indicavam elevação de juros em setembro e chance de pouco mais de um terço de aumento em junho.

Juros mais altos nos EUA podem atrair para a maior economia do mundo recursos aplicados em países como o Brasil, pressionando o câmbio.

(Por Bruno Federowski)

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