Protestos aumentam antes de acordo imigratório UE-Turquia entrar em vigor

Por Dasha Afanasieva e Karolina Tagaris

ISTAMBUL/ATENAS (Reuters) - Imigrantes protestaram em uma ilha grega e grupos de direitos humanos apontaram objeções legais nesta sexta-feira a um polêmico acordo da União Europeia, que exige a devolução de postulantes a asilo da Grécia para a Turquia, três dias antes de o pacto entrar em vigor – e nenhum dos lados está totalmente pronto.

Centenas de imigrantes e refugiados na ilha de Quios abriram caminho em uma cerca de arame que circunda o centro de detenção que ocupavam e rumaram para o porto em protesto à deportação em planejamento, informou a polícia, que não interveio de imediato.

    Confrontos irromperam no local no final da quinta-feira, durante os quais janelas foram estilhaçadas e 10 pessoas ficaram levemente feridas, disse um policial. Cerca de 300 mulheres e crianças saíram do campo nesta sexta-feira carregando seus pertences.

"Eles dizem que não querem voltar à Turquia e que temem por sua segurança depois dos confrontos entre imigrantes ontem no ponto quente", disse um agente da polícia, usando um termo da UE para os centros de registro que se tornaram campos de detenção.

    A tensão em Quios aumenta a possibilidade de haver resistência quando o plano UE-Turquia de mandar de volta todos os imigrantes e refugiados que chegaram às ilhas gregas desde 20 de março for adotado na próxima segunda-feira.

    Embora as chegadas tenham diminuído, mais de 1.900 pessoas cruzaram da Turquia para a Grécia até agora esta semana, e um total de 5.622 foram registradas desde 20 de março.

    A UE planeja enviar centenas de policiais e agentes de imigração à Grécia durante o final de semana para cuidarem dos primeiros retornados. O pacto almeja pôr fim ao influxo descontrolado de imigrantes.

    Mais de um milhão de pessoas fugindo das guerras e da pobreza no Oriente Médio e outros lugares partiram para a Europa no ano passado, a maioria terminando na Alemanha, o que desencadeou uma reação política e fez governos do bloco se voltarem uns contra os outros.

    Mas o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) e o grupo de direitos humanos Anistia Internacional levantaram objeções – a Anistia acusou Ancara de enviar milhares de pessoas que tentam fugir da Síria de volta ao país devastado pela guerra nos últimos meses.

"No desespero de fechar suas fronteiras, líderes da UE ignoraram deliberadamente o mais simples dos fatos: a Turquia não é um país seguro para refugiados sírios e está se tornando menos segura a cada dia", disse John Dalhuisen, diretor da Anistia Internacional para Europa e Ásia Central.

    A Comissão Europeia disse estar investigando a acusação da Anistia e que irá abordar o assunto com as autoridades turcas, que prometeram se ater ao princípio "anti-refoulement" em respeito ao pacto com a UE. O "refoulement" se refere às deportações ilegais de refugiados que correm risco de perseguição.

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