Países investigam nomes ligados a vazamentos de documentos financeiros no Panamá

Por Kylie MacLellan e Elida Moreno

LONDRES/CIDADE DO PANAMÁ (Reuters) - Governos de vários países começaram a investigar possíveis delitos financeiros de ricos e poderosos nesta segunda-feira, após o vazamento de documentos de quatro décadas de um escritório de advocacia sediado no Panamá especializado em abrir empresas offshore.

Os "Papéis do Panamá" revelaram acertos financeiros envolvendo políticos e figuras públicas de todo o mundo, incluindo amigos do presidente da Rússia, Vladimir Putin, a parentes dos primeiros-ministros de Grã-Bretanha, Islândia e Paquistão, assim como o presidente da Ucrânia.

Embora manter recursos em empresas offshore não seja ilegal, jornalistas que receberam os documentos disseram que os papéis fornecem evidências de evasão de recursos, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, entre outros crimes.

O escritório de advocacia, Mossack Fonseca, que diz que criou mais de 240 mil empresas offshore para clientes ao redor do mundo, negou qualquer irregularidade e disse ser vítima de uma campanha contra a privacidade.

O Brasil está entre os vários países com autoridades envolvidas nos vazamentos.

Os documentos obtidos apontam que a Mossack Fonseca criou ou gerenciou cerca de 100 empresas offshore para ao menos 57 indivíduos ou empresas já relacionados ao esquema de corrupção na Petrobras investigado pela operação Lava Jato, de acordo com reportagens.

O Kremlin afirmou que os documentos não contêm "nada de concreto e nada de novo", e o porta-voz de David Cameron disse que os supostos laços do falecido pai do premiê britânico com uma empresa offshore são "um assunto particular".

Não foi possível entrar em contato de imediato com o primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur Gunnlaugsson, para obter comentários sobre a menção de sua esposa em conexão com uma empresa obscura em um paraíso fiscal, notícia que levou a oposição a pedir sua renúncia.

O Paquistão negou qualquer irregularidade da família do premiê, Nawaz Sharif, depois que sua filha e seu filho foram ligados a empresas offshore. O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, não comentou seus supostos elos com operações offshore.

Austrália, Áustria, França e Suécia afirmaram ter iniciado inquéritos sobre as alegações, baseadas em mais de 11,5 milhões de documentos da Mossack Fonseca, localizada no Panamá, que é um paraíso fiscal. Tanto bancos como clientes individuais estão sendo investigados.

Os documentos estão no centro de uma investigação publicada no domingo pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos e mais de 100 outras organizações de mídia de todo o mundo.

O jornal alemão Sueddeutsche Zeitung disse ter recebido a enorme leva de documentos e os compartilhado com os outros veículos de imprensa.

Os "Papéis do Panamá" cobrem um período de quase 40 anos, de 1977 até dezembro passado, e supostamente mostram que algumas empresas sediadas em paraísos fiscais estavam sendo usadas supostamente para lavagem de dinheiro, negociações com armas e drogas e evasão fiscal.

"Acho que o vazamento irá se mostrar o maior golpe que o mundo offshore já sofreu, por causa da amplitude dos documentos", disse Gerard Ryle, diretor do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos.

O jornal britânico Guardian disse que os documentos revelaram que uma rede de acordos e empréstimos offshore secretos no valor de 2 bilhões de dólares apontou para amigos íntimos do presidente da Rússia, Vladimir Putin. A Reuters não conseguiu confirmar os detalhes de forma independente.

 

     "ATAQUE CIBERNÉTICO"

  O presidente da Mossack Fonseca, Ramon Fonseca, negou qualquer irregularidade, mas disse que sua firma sofreu um bem-sucedido, porém "limitado", ataque cibernético. Ele descreveu a invasão e o vazamento como "uma campanha internacional contra a privacidade".

Fonseca, que até março era uma importante autoridade do governo do Panamá, disse em uma entrevista à Reuters por telefone no domingo que sua firma, especializada em abrir empresas offshore, criou mais de 240 mil companhias.

Reportagens afirmaram que os dados vazados apontam ligação entre um membro do Comitê de Ética da Fifa e um dirigente de futebol do Uruguai que foi preso no ano passado durante um inquérito dos Estados Unidos sobre a corrupção no futebol.

No domingo, o Comitê de Ética da Fifa disse que Juan Pedro Damiani, membro da câmara adjudicatória do comitê, está sendo investigado por uma possível relação de negócios com o também uruguaio Eugenio Figueredo, um dos dirigentes presos em Zurique em 2015.

Damiani disse à Reuters em Montevidéu que cortou relações com Figueredo quando este último foi acusado de corrupção.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos